EFE/Mauricio Due
EFE/Mauricio Due

Colômbia oferece US$ 1 milhão por ex-guerrilheiro das Farc

Acusado de tentar enviar 10 toneladas de cocaína para os EUA, Jesús Santrich teria fugido para a Venezuela, segundo governo

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 20h37

BOGOTÁ - A Colômbia ofereceu uma recompensa de cerca de US$ 1 milhão por Jesús Santrich, ex-chefe da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), procurado por narcotráfico. O governo acredita que ele pode ter fugido para a Venezuela.

Santrich, de 52 anos, passou a ser um dos homens mais procurados da Colômbia após descumprir, na terça-feira, uma intimação para ser interrogado pela tentativa de traficar cocaína após a assinatura do acordo de paz, em 2016. A Suprema Corte ordenou sua captura e pediu à Interpol para emitir um alerta vermelho para prendê-lo

Santrich era um dos principais negociadores das Farc no diálogo que resultou na assinatura do acordo. Em troca de encerrar a luta armada, os guerrilheiros ganharam uma anistia, seriam inseridos na sociedade civil, formariam um partido político e receberiam cinco cadeiras no Senado e cinco na Câmara nos dois ciclos legislativos seguintes – assim, Santrich se tornou senador, após as eleições do ano passado.

O acordo tinha ainda uma cláusula importante: a anistia não se aplicava a guerrilheiros desmobilizados que cometessem crimes após a assinatura do acordo. Foi exatamente o que ocorreu com Santrich. Em 2018, ele teria sido flagrado em conversas grampeadas tentando enviar dez toneladas de cocaína para Miami. 

O ex-guerrilheiro, que passou a enfrentar um pedido de extradição para os EUA, rejeita as acusações. Ele afirma que as acusações são parte de um “complô” elaborado por Washington e pela Procuradoria colombiana contra ele. Em maio, Santrich obteve uma vitória nos tribunais. A Justiça colombiana considerou não haver provas suficientes de que o crime tenha sido cometido depois de 2016. 

Cocaína

A batalha jurídica, porém, nunca terminou e o ex-guerrilheiro vivia entrando e saindo da prisão. Mas, desde o dia 30 de junho, ele sumiu. Ele foi visto pela última vez no Departamento de Cesar, perto da fronteira com a Venezuela. Hoje, o chefe de polícia, Óscar Atehortua, anunciou no Twitter a “recompensa de até 3 bilhões de pesos” para quem der informações que permitam capturá-lo. 

O presidente da Colômbia, Iván Duque, disse que o ex-guerrilheiro pode ter fugido para a Venezuela. “Essa probabilidade é real porque está perto da zona onde ele fugiu e nós estamos monitorando isso com todas as autoridades”, afirmou o presidente, que pediu ao Conselho de Segurança da ONU que supervisione por mais um ano o andamento do pacto de paz.

O caso de Santrich não é isolado. A decisão de ex-guerrilheiros de se manterem à margem do processo de paz tem manchado o acordo que levou ao desarmamento de cerca de 7 mil rebeldes. Outros negociadores como Iván Márquez também desapareceram. 

Com o respaldo da ONU, o acordo com as Farc reduziu sensivelmente a violência em várias regiões do país, embora persistam a polarização política e outras ameaças à segurança em razão do narcotráfico.

Eleito com o apoio dos mais severos críticos das negociações de paz, Duque tentou revisar os compromissos assumidos por seu antecessor, Juan Manuel Santos (2010-2018), com o argumento de que pretendia evitar a impunidade para os responsáveis por delitos de sangue. Suas tentativas de modificar os termos do acordo, no entanto, fracassaram nos tribunais. 

As Farc – que fundaram um partido político com o mesmo nome – denunciam atrasos, violações e falta de garantias legais e de segurança. Desde novembro de 2016, foram assassinados 140 ex-guerrilheiros e 31 parentes. Esse tem sido o argumento de ex-comandantes como Santrich e Márquez para se manterem à margem do processo de paz. 

Outro problema que ameaça o acordo são os grupos de guerrilheiros dissidentes das Farc. O Exército colombiano informou hoje que dois militares morreram e nove ficaram feridos em uma emboscada atribuída a um desses grupos. Eles permanecem ativos por várias razões, entre elas a lucrativa indústria da cocaína, na qual muitos estão envolvidos. / AFP e EFE 

 

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