Colômbia: políticos descartam vazio de poder

Congressistas, analistas políticos e líderes governistas colombianos descartavam nesta terça-feira que a iminente cirurgia à qual será submetido o presidente Juan Manuel Santos para tratar um tumor na próstata venha a gerar alguma espécie de vazio de poder na Colômbia. "Neste momento, não existe nenhum temor de que ocorra um vazio de poder", disse o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, que governou entre 1994 e 1998. Samper argumentou que Santos será operado "com anestesia local", o que permitirá que fique consciente na manhã da quarta-feira, quando ocorrerá a cirurgia.

AE, Agência Estado

02 de outubro de 2012 | 17h14

Ontem à noite, Juan Manuel Santos, de 61 anos, anunciou em entrevista coletiva que médicos haviam detectado um tumor maligno na próstata. Segundo ele, o câncer não é considerado agressivo pelos médicos e não será necessário afastar-se de suas funções. Santos será operado na manhã da quarta-feira no hospital da Fundação Santa Fé de Bogotá. O presidente disse, ao citar os seus médicos, que as chances de cura são de 97%.

O médico Sebastián Quintero, da Liga Colombiana contra o Câncer, explicou que a operação de Santos deverá durar entre uma hora e duas horas e que, sob condições normais, o presidente estará recuperado em 15 dias.

A Constituição da Colômbia estabelece que "na falta temporária do presidente, basta que o vice-presidente tome posse do cargo na primeira oportunidade, para que o exerça quantas vezes for necessário". A questão é que o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, de 66 anos, ainda não se recuperou totalmente de um derrame cerebral que sofreu em meados de 2012.

O senador Roy Barreras, do partido governista, disse que "não existe nenhuma possibilidade de vazio constitucional na Colômbia". Mas o deputado opositor Jorge Enrique Robledo lamentou que tanto o presidente quanto o vice-presidente estejam doentes. Robledo acredita que a cirurgia e a recuperação de Santos ocorrerão em tempo breve.

A doença atinge Santos no momento em que o presidente colombiano abriu negociações de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na segunda-feira, as Farc anunciaram que as negociações iniciais ocorrerão em 15 de outubro em Oslo, na Noruega.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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