Colômbia: processo de paz está ameaçado, diz paramilitar

O ex-líder paramilitar colombiano e porta-voz da cúpula das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Iván Roberto Duque, disse nesta terça-feira que o processo de paz com o governo está agonizando por causa de uma decisão que estabelece penas de mais de 40 anos de prisão para os desmobilizados."Estou convencido de que no pensamento de muitos de nossos ex-combatentes, é preferível morrer que pagar 40 anos na prisão quando foram produto de um Estado indolente que durante mais de 30 anos não garantiu a vida, a segurança e a liberdade dos colombianos", disse Duque, também conhecido como Ernesto Báez, às rádios RCN e Caracol.Os paramilitares ficaram irritados com uma decisão tomada pela Corte Constitucional no dia 18 de maio que os obriga a confessar seus delitos e ressarcir economicamente suas vítimas para evitar longas condenações. A corte também deixou sem efeito alguns pontos da lei, aprovada em junho de 2005 pelo Congresso, como o benefício de penas de 5 a 8 anos de prisão para os que tivessem sido condenados anteriormente no processo de paz.Segundo o senador Germán Vargas, do partido Cambio Radical, o segundo mais importante da coalizão de governo, "o que se buscou foi um equilíbrio entre paz e justiça, mas agora esse equilíbrio foi quebrado, pois se deu predominância à justiça e o interesse de paz foi relegado".Apesar de o porta-voz da AUC ter desmentido a ruptura do diálogo com o governo, qualificou a situação atual como "praticamente o fim" do processo de paz iniciado em março de 2003 com o governo do presidente Álvaro Uribe. O processo de paz acolheu cerca de 35 mil paramilitares, que entregaram mais de 17 mil armas, segundo informações oficiais. A desmobilização tinha sido criticada pelas organizações humanitárias locais e internacionais, que consideraram a Lei de Justiça e Paz muito branda e excessivos os benefícios concedidos aos paramilitares em comparação às atrozes matanças que eles cometeram contra a população. Alguns esquadrões de paramilitares, que surgiram nos anos 80 com o apoio econômico de fazendeiros, comerciantes e narcotraficantes perseguidos pelos guerrilheiros, já retornaram à luta armada, segundo fontes do governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.