Juan David Tena/Presidência da Colômbia/EFE
Juan David Tena/Presidência da Colômbia/EFE

Colômbia e Farc prorrogam por 20 dias prazo para entrega de armas

Vigência das áreas onde estão reunidos os membros da guerrilha será estendida por dois meses; presidente Juan Manuel Santos disse que o cessar-fogo 'funcionou', pois desde então não houve conflitos e mortes

O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2017 | 00h07
Atualizado 30 de maio de 2017 | 08h12

BOGOTÁ - O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) decidiram na segunda-feira 29 prorrogar por 20 dias o prazo para a entrega das armas da guerrilha, que seria concluído nesta semana, e estender por dois meses a vigência das áreas onde estão reunidos seus membros, segundo anunciou o presidente Juan Manuel Santos.

"Serão 20 dias adicionais para o desarmamento e 60 para as reincorporações. Não é nada para terminar bem 53 anos de enfrentamento e violência fratricida", afirmou o chefe de Estado em um discurso ao país.

O período de 180 dias para a implementação da paz começou a contar em 1.º de dezembro, um dia após a ratificação pelo Congresso colombiano do acordo assinado em 24 de novembro em Bogotá. Contudo, problemas de diversos tipos acabaram atrasando o processo e levaram as Farc a pedir uma ampliação do prazo de pelo menos dois meses.

Santos disse que nestes últimos seis meses se avançou "no desarmamento completo e definitivo das Farc" e, apesar dos atrasos sofridos principalmente por problemas logísticos na construção das zonas de vereda transitórias de normalização (ZVTN), onde estão reunidos 6.934 guerrilheiros, esse processo foi "ordenado" e "seguro".

"No entanto, em razão aos atrasos acumulados resultantes dos problemas que já mencionei, de comum acordo com as Nações Unidas e as Farc, decidimos que a entrega das armas terminará não amanhã como estava previsto, mas dentro de 20 dias", acrescentou. Pelas mesmas razões, as partes decidiram prolongar a vigência das ZVTN "por mais dois meses, até 1.º de agosto deste ano". "Este tempo adicional nos permitirá pôr em marcha devidamente o processo de reincorporação à vida civil e sem armas dos ex-membros das Farc", explicou.

O presidente colombiano salientou que "esta mudança na data não afeta de modo algum a firme decisão e o claro compromisso do governo e das Farc para cumprir com o acordo". "O Mecanismo de Monitoramento e Verificação (MM&V) seguirá exercendo o seu papel até certificar que a última arma das Farc foi entregue e retirada do território nacional", completou.

O MM&V é um mecanismo tripartido integrado por membros das Nações Unidas, da polícia colombiana e das Farc que está presente nas 26 zonas rurais onde estão reunidos os guerrilheiros, e supervisiona o cumprimento do cessar-fogo bilateral e definitivo.

Santos também afirmou que o cessar-fogo "funcionou", pois desde o seu início, há seis meses, "não houve um só enfrentamento entre as nossas forças e integrantes das Farc. Nem um ferido, nem um morto. Mais importante ainda, não houve nem um só incidente ou ataque contra a população civil".

"Cumpridos estes primeiros seis meses desde a assinatura do acordo, podemos dizer sem sombra de dúvidas que a paz é irreversível. Não vamos voltar atrás. Por nenhum motivo vamos voltar às épocas terríveis da violência, do medo, dos assassinatos e dos massacres. A Colômbia está deixando para trás essa história de sangue e dor para sempre", sentenciou. / EFE

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