AFP/Fernando Vergara
AFP/Fernando Vergara

Colômbia quer apoio do Brasil após acordo

Representante do governo colombiano afirma que País foi essencial para o ponto da reforma agrária discutido com as Farc e espera mais parceria

Fernanda Simas, ENVIADA ESPECIAL/ CARTAGENA, COLÔMBIA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 05h00

Após a assinatura, na segunda-feira, de um acordo de paz com a maior e mais antiga guerrilha do país, o governo da Colômbia espera apoio da região – e, particularmente, do Brasil – para avançar nas questões que precisarão ser resolvidas no processo de desmobilização dos insurgentes. 

Bogotá espera que o Brasil, que já auxiliou as duas partes da negociação no início do processo, seja parceiro de mais iniciativas para concretizar as melhorias que governo e guerrilha acreditam que o acordo trará. 

O alto comissionado de paz do governo de Juan Manuel Santos, que se tornou o rosto da estratégia de paz na Colômbia, Sergio Jaramillo, avaliou que a maior contribuição do Brasil foi na questão da reforma agrária.

“Quando estávamos construindo o acordo do ponto um da agenda, sobre reforma agrária, pedimos formalmente ao governo do Brasil que nos enviasse uma missão de assessores e nos enviaram o diretor internacional do Ministério de Desenvolvimento Social que é o encarregado de toda a promoção da agricultura familiar no País. O exemplo do Brasil foi de muita importância”, afirmou ao Estado o negociador, antes da cerimônia de assinatura do acordo de paz em Cartagena de Índias.

Formado em Filosofia e com experiência em assuntos de segurança, Jaramillo explica que conseguiu demonstrar, após a experiência mostrada pelo Brasil, que era possível haver a convivência em um mesmo território entre grandes indústrias de agropecuária e pequenos cultivos familiares. 

“Em outros temas, como (erradicação de) cultivos ilícitos, também pedimos conselhos ao Brasil”, acrescentou o negociador, que espera ver as relações entre os dois países ampliadas.

“Temos um interesse em comum em combater o tráfico de espécies, madeira e o narcotráfico em nossas fronteiras. Acho que essa cooperação em segurança fronteiriça deve ser ampliada, pois agora teremos mais recursos e tempo para dedicar a essas questões em vez de estarmos combatendo as Farc”, afirmou.

A posição do Brasil sobre o tema é semelhante. “Com o fim da guerra, a Colômbia poderá concentrar seus esforços no desenvolvimento, o que abre oportunidades importantes para parceiros”, afirmou o chanceler José Serra, que esteve em Cartagena representando o Brasil na cerimônia de assinatura. “Há potencial na área de defesa e segurança. O Brasil tem uma boa indústria de material de defesa.”

Serra acredita que a própria questão agrícola ainda pode ser ampliada, com o fornecimento de tecnologia. “Temos tecnologia para agricultura familiar e empresarial e não só em questão de máquinas, mas também de exploração do solo.”

Jaramillo afirma que a partir de agora, na fase de implementação dos pontos acertados em Havana – e considerando que o acordo final seja aprovado no plebiscito de domingo –, Bogotá pedirá ajuda à região. 

“A estratégia que construímos com o presidente Santos foi de uma espiral. Começamos com o mínimo (de envolvimento de outros países) necessário e fomos abrindo. Agora, necessitaremos de muito apoio e espero poder continuar contando com a ajuda do Brasil”, disse.

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