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REUTERS/John Vizcaino
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Colômbia quer rastrear recursos das Farc em países como Brasil

Dinheiro obtido pelos  guerrilheiros de forma ilícita não poderá servir para financiar atividade política, diz procurador

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2016 | 05h00

O governo da Colômbia pedirá colaboração dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para rastrear recursos obtidos de maneira ilegal pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O país já fechou acordo com os Estados Unidos para repatriação de valores ou patrimônio do grupo guerrilheiro que estejam em território americano.

O procurador-geral da República da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, disse ontem que a busca dos recursos das Farc provenientes de sequestro, extorsão, narcotráfico e outros crimes será uma das prioridades do governo na etapa posterior à assinatura do acordo de paz com a guerrilha. O pedido de apoio aos países da Unasul será feito durante reunião de procuradores-gerais do grupo que será realizada na quarta-feira.

Existe o temor de que os recursos obtidos com atividades ilegais sejam usados para o financiamento das atividades políticas das Farc, o que criaria um desequilíbrio em relação a partidos e políticos tradicionais. 

Durante seminário que discutiu o assunto em Washington, o procurador-geral disse que isso não será permitido e ressaltou que qualquer tentativa das Farc de dar uma fachada “legítima” a recursos ilegais obtidos pela guerrilha durante o conflito será tratada como um novo delito.

Martínez não revelou a estimativa dos valores acumulados pelo grupo ao longo dos 52 anos de guerra civil, durante os quais 220 mil pessoas foram mortas. Em abril, uma reportagem da revista The Economist disse que a cifra rondava os US$ 10,2 bilhões em 2012.

“O dinheiro das Farc é ilícito e, depois do acordo de paz, continuará a ser ilícito”, disse Martínez. “Isso não é objeto de anistia.” O procurador-geral disse que as investigações estão no início e que não poderia dar informações sobre a eventual presença de recursos do grupo guerrilheiro no Brasil.

Única saída. Rafael Pardo, ministro para Pós-Conflito, Direitos Humanos e Segurança, disse que o governo não tem um “plano B” para a hipótese de o acordo de paz não ser aprovado no plebiscito marcado para o dia 2 de outubro. Segundo ele, o ex-presidente Álvaro Uribe se opõe ao processo de paz por razões políticas, na tentativa de aumentar as chances de um “candidato de direita” nas eleições presidenciais de 2018.

Presidente da Fundação Reconciliação Colômbia e diretor da revista Semana, Alejandro Santos prevê que o “sim” ao acordo vencerá o plebiscito. Mas a vitória dará início a um período difícil de reconciliação nacional.

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