AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA
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Colômbia recorre à Cruz Vermelha para encontrar jornalistas desaparecidos

Salud Hernández está desaparecida desde sábado. Diego D'Pablos e Carlos Melo desapareceram na segunda-feira, quando ambos chegaram à região de Cataumbo

O Estado de S. Paulo

26 Maio 2016 | 10h37

BOGOTÁ - O governo da Colômbia recorreu na quarta-feira ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para encontrar a jornalista espanhola Salud Hernández e outros dois repórteres colombianos que estão desaparecidos na região do Cataumbo, no norte do país, perto da fronteira com a Venezuela.

O Ministério da Defesa da Colômbia informou no Twitter que, por instrução do presidente Juan Manuel Santos, fez contato "com o CICV oferecendo colaboração se (a organização) se envolver no retorno dos jornalistas".

No passado, o CICV atuou como mediador em libertações de reféns em poder de grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), operações para as quais são ativados protocolos que geralmente incluem a interrupção de operações militares na região, onde são realizadas ações humanitárias.

Salud Hernández é correspondente na Colômbia do jornal espanhol El Mundo e colunista da publicação colombiana El Tiempo. A repórter foi vista pela última vez no sábado no município de El Tarra, que faz parte da região do Catatumbo.

A mensagem do Ministério da Defesa foi divulgada depois que o presidente Juan Manuel Santos disse que, segundo informações que obteve, a repórter espanhola está com o Exército de Libertação Nacional (ELN) fazendo um trabalho jornalístico e que, por razões desconhecidas, não pôde retornar.

"De Salud Hernández, a informação que tenho, que estou verificando, (é que) ela foi fazer um trabalho jornalístico por sua própria vontade, que se reuniu com o ELN e o ELN está esperando para ver como pode devolvê-la à liberdade", declarou Santos em uma visita ao departamento de Chocó, no oeste do país.

O chefe de Estado ressaltou que está "verificando essa informação", da qual disse que "não está totalmente confirmada", mas insistiu que as mesmas provêm de fontes fidedignas.

Além disso, o chefe de polícia da Colômbia, o general Jorge Nieto, assegurou que não descarta a possibilidade de que Salud Hernández tenha viajado para a Venezuela pela região do Catatumbo como parte do trabalho.

"Estamos manejando todas as hipóteses. Há elementos de informação que manifestaram que ela possivelmente iria à Venezuela. Não descartamos isso", declarou Santos. "Ela informou a muitas pessoas, entre elas o diretor do El Tiempo, com quem estive em permanente comunicação, que iria fazer um trabalho, ela está incomunicável", detalhou.

Enquanto isso, a pista de Diego D'Pablos e Carlos Melo, correspondentes da rede de televisão local Noticias RCN, foi perdida na segunda-feira, quando ambos chegaram à região para cobrir o desaparecimento de Salud, que também tem nacionalidade colombiana. Ambos estão desaparecidos desde a noite da segunda-feira na região, quando chegaram para investigar a situação de Salud

"Sobre os dois jornalistas da RCN não temos informação. Supomos que algo parecido aconteceu com eles", declarou Santos.

No Catatumbo operam os grupos guerrilheiros ELN, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército Popular de Libertação (EPL), além de grupos paramilitares e organizações criminosas dedicadas ao cultivo de coca para produção de cocaína.

Protocolo. Um "protocolo humanitário" foi ativado na convulsionada região de Catatumbo para encontrar os três jornalistas que desapareceram nos últimos dias na região, informaram as autoridades na quarta-feira.

O governador do Norte de Santander, departamento na fronteira com a Venezuela e onde há forte presença da guerrilha, William Villamizar, disse que os comandantes militares "ativaram um protocolo humanitário (...) que permite o diálogo de organizações civis, da Igreja, para obter precisamente a libertação dos jornalistas".

"Esperamos que no dia de hoje, nas próximas horas, se consiga a libertação dos jornalistas", disse Villamizar à RCN.

A Defensoria do Povo, que vela pelos direitos humanos na Colômbia, também disse que mantém uma "missão humanitária" na área "à espera de contatos que permitam o regresso dos comunicadores desaparecidos". /AFP e EFE

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