Colômbia reforça laços com Moscou

Em resposta à aproximação de Chávez com a Rússia, Bogotá fecha acordos e amplia relações com o Kremlin

Reuters e Efe, Bogotá, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 00h00

Preocupado com a aproximação entre Rússia e Venezuela, o governo colombiano reativou acordos de defesa com Moscou e está incentivando o comércio bilateral e a diplomacia com os russos. Após visitar a Rússia, na semana passada, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel dos Santos, voltou a Bogotá com pactos, promessas e explicações dos russos sobre a ligação com os venezuelanos.Aliado militar dos EUA, a Colômbia tem acompanhado com atenção a recente relação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, com os dirigentes da Rússia. Além das inúmeras visitas à capital russa, ele comprou armamento de Moscou e convidou aviões e navios de guerra russos para realizarem testes na Venezuela. Durante a semana que passou na Rússia, Santos questionou funcionários do Kremlin sobre exercícios navais em parceria com a Venezuela, programados para o mês que vem no Caribe. Moscou enviará cruzadores e navios de escolta para realizarem exercícios de guerra em conjunto com os venezuelanos. "Os russos nos explicaram que não há intenção de fazer uma demonstração de força", disse Santos. "São só manobras para treinar os oficiais em situações de longa distância." Bogotá também teme que as armas russas compradas por Caracas acabem nas mãos de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Entregamos documentos que mostram a intenção das Farc em comprar armas russas", afirmou Santos, O ministro colombiano disse ainda que Bogotá e Moscou concordaram em reativar um acordo de cooperação militar fechado em 1996, mas que não estava ainda em vigor. Pelo pacto, a Colômbia pode fazer a manutenção de helicópteros militares russos e até fabricar veículos blindados com tecnologia russa. Além dos acordos bélicos, os dois países também discutiram projetos de cooperação no combate ao narcotráfico. Segundo o chefe do departamento de narcóticos da polícia russa, Victor Ivanov, estão sendo analisadas medidas para combater a crescente entrada de cocaína vinda da América Latina na Rússia.A visita do ministro colombiano é apenas mais uma prova da tentativa de Bogotá em se aproximar dos russos. Em maio, o vice-presidente Francisco Santos visitou Moscou e o presidente, Álvaro Uribe, deve passar pela Rússia no início do ano que vem. Segundo Santos, Moscou qualifica sua relação com a América Latina de "multilateral e pragmática". "É uma visão similar à nossa. Mantemos um bom relacionamento tanto com os EUA como com Cuba."

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