AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA
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Colômbia se soma aos países sul-americanos preocupados com situação na Venezuela

Ministério das Relações Exteriores colombiano pediu que o governo e oposição colombianos 'continuem os esforços para avançar nos diálogos e obter consensos'

Fernanda Simas, enviada especial / Cartagena, Colômbia, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2016 | 14h27

CARTAGENA, COLÔMBIA - Após chanceleres latino-americanos manifestarem na quarta-feira sua preocupação com a crise política na Venezuela, nesta quinta-feira, 29, foi a vez da Colômbia se posicionar sobre a questão regional. O Ministério das Relações Exteriores colombiano divulgou uma nota pedindo que o governo de Nicolás Maduro e a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) “continuem os esforços para avançar nos diálogos e obter consensos”.

“A Colômbia insiste na necessidade de continuar a elaboração de uma agenda concreta com resultados positivos para buscar soluções urgentes à situação social, política e econômica da Venezuela por meio de um diálogo construtivo em que se abordem todos os temas, incluindo a ativação do referendo revogatório segundo a Constituição”, diz o documento divulgado à imprensa.

A pressão de países da região pela realização do referendo revogatório contra Maduro neste ano – o que levaria a uma nova eleição – vinha sendo discutida. O ministro de Relações Exteriores do Brasil, José Serra, afirmou, após a cerimônia da assinatura do acordo de paz na Colômbia, que a Argentina pretendia concretizar a pressão por meio de uma nota conjunta, mas a iniciativa ficou congelada para dar mais tempo a uma mediação do papa Francisco.

Na noite de quarta-feira, a nota conjunta foi então divulgada. “Os chanceleres abaixo expressam sua preocupação com a decisão do Conselho Nacional Eleitoral da República Bolivariana da Venezuela, tomada em 21 de setembro, que entre outros aspectos, implica em um método para a coleta de 20% do censo e tem o efeito de adiar a realização do referendo até 2017”. A nota foi assinada por Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, México e Peru.

No documento divulgado nesta quinta-feira, a Colômbia também aborda a possível mediação de Francisco na crise política venezuelana. “Apoiamos e confiamos no papel mediador do Vaticano, o qual será fundamental para avançar com a vontade de reconciliação de todos os venezuelanos. A Colômbia reitera sua disposição em contribuir e cooperar com qualquer ação que alivie a situação do povo venezuelano”, encerra a declaração.

Após a divulgação da nota, o presidente Juan Manuel Santos fez um discurso comentando a crise venezuelana. “Estávamos com a chanceler analisando a situação na Venezuela e a possibilidade de que se estabeleça um diálogo entre a oposição e o governo. Há uma manifestação de ambas as partes de utilizar o Vaticano para uma mediação e queremos expressar nosso apoio a isso. Só por meio do diálogo se pode resolver os problemas e encontrar as soluções.”

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