Colômbia só troca prisioneiros em processo de paz

O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, afirmou hoje que uma troca de seqüestrados por guerrilheiros presos é viável, mas somente como parte de um processo de paz, para não incentivar novos seqüestros. Em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal colombiano El Tiempo - o de maior circulação no país e do qual é um dos proprietários -, Santos destacou que "a troca e o processo de paz devem ser manejados com muita prudência para se evitar distorções". Ele considerou que fazer de modo isolado o intercâmbio humanitário poderá levar a "muitos seqüestros mais". Atualmente, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm em seu poder uma ex-candidata à presidência, dois ex-ministros, um governador, cinco ex-congressistas, 12 deputados e 47 policiais e soldados. O principal grupo guerrilheiro da Colômbia tenta trocar essas pessoas por centenas de rebeldes presos. O novo governo sustenta que está disposto a retomar negociações com os grupos armados depois que eles declararem um cessar-fogo. O programa de reformas do presidente Alvaro Uribe conta com um projeto de referendo destinado, entre outras coisas a oferecer um número indeterminado de cadeiras no Congresso aos rebeldes que se comprometerem em um processo de paz. Para Santos, será mais fácil dialogar com o Exército de Libertação Nacional (ELN) do que com as Farc. "O ELN é um partido em armas, não um exército como se apresentam as Farc, por isso o processo com aquela guerrilha fica mais fácil", disse. O ex-presidente Andrés Pastrana manteve conversações de paz com as Farc e o ELN, mas rompeu o diálogo alegando que o primeiro grupo é terrorista e que o segundo fez exigências impossíveis de cumprir. Santos manifestou a preocupação de seu governo pela "tecnologia" usada pelas Farc e por vínculos com o Exército Republicano Irlandês (IRA), grupo da Irlanda do Norte conhecido por praticar atentados contra a Inglaterra. "O caso é preocupante, pela tecnologia que (os rebeldes) adquiriram do IRA, o que demonstra que o terrorismo na Colômbia é um problema global", declarou. Para Santos, "cada vez mais o uso do terror está levando as Farc (de 17 mil homens) a uma situação incrivelmente parecida com a de Pablo Escobar (o líder morto do Cartel de Medellín, que nos anos 80 lançou uma onda de atentados a bomba em várias cidades colombianas)". Pelo menos cinco guerrilheiros das Farc morreram em combates registrados no norte e centro da Colômbia, informaram hoje fontes da polícia, que também revelaram a captura de um suposto rebelde acusado de coordenar as "milícias bolivarianas" (comandos urbanos) no sul do país.

Agencia Estado,

11 Agosto 2002 | 17h48

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