Luis Robayo/AFP Photo
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Colômbia suspende negociações com ELN após ataques da guerrilha

Ao menos quatro pessoas morreram e dois militares ficaram feridos em ações do grupo, que quer prosseguir com conversas de paz

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 16h01

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu nesta quarta-feira,10, a retomada das conversações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN) em Quito, previstas para hoje, depois de ataques  atribuídos à guerrilha. O grupo, no entanto, defendeu que as negociações no Equador continuem. Ao menos quatro pessoas morreram e dois militares ficaram feridos nos ataques.

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"Conversei com o chefe da delegação do governo em Quito (Gustavo Bell) para que volte de imediato para avaliar o futuro do processo", afirmou o presidente em um discurso televisionado da sede da presidência, a Casa de Nariño.

As partes estavam prontas para retomar as negociações de paz nesta quarta-feira nos arredores da capital equatoriana para acertar um novo cessar-fogo como o que esteve em vigor entre 1 de outubro e terça-feira. Segundo Santos, o ELN, retomou nesta madrugada seus ataques terroristas contra a população civil, o Exército e redes de infraestrutura.  "Meu compromisso com a paz tem sido e será inabalável. Mas a paz só pode ser alcançada com vontade e atos concretos, e não apenas com palavras", afirmou Santos.

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A petroleira estatal Ecopetrol relatou um possível ataque a um poço no departamento de Casanare. Além disso, as autoridades denunciaram que um posto de segurança da Marinha foi atacado com uma granada em Arauca, zona na fronteira com a Venezuela e de presença histórica do ELN. Dois militares ficaram feridos no incidente, de acordo com a imprensa local. Outras quatro pessoas morreram em meio ações do ELN e outros grupos armados nos últimos dias no sudoeste do país, segundo a Defensoria do Povo.

Na véspera, o ELN anunciou o fim de sua primeira trégua bilateral na Colômbia a partir da meia-noite, embora afirmasse que iria evitar uma escalada do conflito enquanto negociasse com o governo.

Impasse

O cessar-fogo acabou com queixas mútuas de descumprimento, mas com um fato indiscutível: nos últimos três meses não houve confrontos entre os militares e as tropas rebeldes pela primeira vez em mais de meio século de conflito.

Além da interrupção do confronto, o ELN tinha se comprometido a suspender sequestros e ataques à infraestrutura petroleira, enquanto o governo melhoraria as condições dos guerrilheiros presos e a segurança dos líderes sociais.

Com menos de dois mil combatentes, o ELN é a última guerrilha ativa na Colômbia reconhecida pelo governo, após o desarmamento  das Farc, no fim de 2016. / AFP

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