Colômbia suspense negociações de paz com Farc

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu as negociações de paz com o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior da América do Sul, depois da captura de um general do Exército colombiano.

PRISCILA ARONE, COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS E DA DOW JONES NEWSWIRES, Estadão Conteúdo

17 Novembro 2014 | 09h25

O general Rubén Darío Alzate supervisionava, no domingo, um projeto de energia rural ao longo de um rio no oeste do país quando ele e outros dois homens foram sequestrados por homens armados. Um soldado conseguiu fugir no barco a motor do grupo e informou que os captores eram membros da 34ª frente das Farc.

Meios de comunicação colombianos informaram que é a primeira vez em meio século de combates que os guerrilheiros sequestraram um general do Exército.

Afirmando que o aparente sequestro é "totalmente inaceitável", Santos disse ter ordenado que os negociadores do governo, que estavam prontos para viajar nesta segunda-feira para Cuba, onde participariam da próxima rodada de negociações com o grupo rebelde, permaneçam no país até que Alzate e os outros - o capitão do Exército Jorge Rodriguez Contreras e a advogada Gloria Urrego, sejam libertados.

"As Farc são responsáveis pela vida e pela segurança dessas três pessoas", disse Santos aos jornalistas, depois da meia-noite de domingo, após reunião com seus principais comandantes militares, que seguem para Quibdó, a capital do departamento de Chocó, para supervisionar os esforços de resgate.

Não havia sido registrada qualquer reação das Farcs nas contas do grupo no Twitter.

O sequestro acontece em meio à frustração com a lentidão dos dois anos de negociações de paz e a aparente recusa dos guerrilheiros de encerrar os ataques em áreas onde continuam a dominar.

A decisão de suspender as negociações de paz, iniciadas dois anos atrás com o objetivo de encerrar o conflito de 50 anos com os rebeldes de esquerda, representa um passo ousado para Santos, que fez do acordo com as Farc a pedra angular de sua presidência. Ele foi reeleito para um segundo mandato de quatro anos, em junho, com a promessa de fechar um acordo final com o grupo.

Segundo o presidente, a paz levará a uma maior expansão econômica e atrairá investimentos estrangeiros para a Colômbia. Mas a captura do general irritou as autoridades do país, que veem no fato um sinal de que as Farc não estão negociando de boa fé, disseram pessoas próximas ao assunto no domingo.

Somente nos últimos dias, as Farc fizeram reféns dois soldados após intenso confronto no nordeste da Colômbia. O grupo também é acusado de matar dois integrantes de uma tribo indígena que entraram em confronto com rebeldes que carregavam faixas pró-Farc.

Embora Santos responsabilize as Farc pelo desaparecimento do general, ele também quer saber por que um dos soldados mais ilustres do país aparentemente violou o protocolo militar e partiu para uma viagem pelo rio vestido como civil e sem seus guarda-costas.

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