Colômbia tenta reduzir tensão com Venezuela

Chanceler colombiana diz ser 'quase impensável' o rompimento de laços; na véspera, Caracas e Bogotá chamaram embaixadores

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2015 | 02h03

Apesar da crise provocada pelo fechamento da fronteira entre Venezuela e Colômbia - ordenado há mais de uma semana pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro -, a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, reduziu ontem a tensão afirmando que é "quase impensável" que ocorra um rompimento diplomático com o país vizinho.

A declaração foi feita um dia depois de os dois países convocarem seus embaixadores para consultas, reagindo à situação na parte da fronteira que Caracas mantém bloqueada.

O posto fronteiriço localizado na região da cidade colombiana de Cúcuta foi interditado por ordem do presidente venezuelano após um confronto com contrabandistas que deixou dois militares venezuelanos gravemente feridos.

A convocação dos embaixadores em Caracas e Bogotá se deu após uma reunião das chanceleres que terminou sem nenhum acordo para solucionar a crise, que forçou a saída de milhares de colombianos da Venezuela.

"Romper relações, e com um vizinho, é algo quase impensável, é muito difícil", declarou a ministra a uma rádio local.

"Isso eu não cogito, até porque me parece que muitas coisas nos unem à Venezuela", acrescentou.

Os dois países compartilham uma fronteira terrestre porosa de 2,2 m il quilômetros que facilita a passagem sem grandes controles, o que contribui para atividades como contrabando de alimentos e combustíveis.

Protesto. Venezuelanos que sofrem de câncer, hemofilia e receberam transplantes protestaram ontem em Caracas para exigir medicamentos indispensáveis para seu tratamento em um país assolado por uma escassez severa de produtos.

Cerca de 13 mil pessoas com doenças crônicas correm risco em razão da falta de quimioterapia e de remédios essenciais, incluindo receptores de transplantes, necessários para impedir rejeições, segundo a CodeVida, uma coalizão de organizações de saúde.

O descontrole do câmbio paralelo, a queda na produção e o contrabando reduziram o fornecimento de medicamentos. Estima-se que sete em cada dez remédios não estão disponíveis na Venezuela, de acordo com grupos de direitos humanos.

Mas o governo afirma que a distribuição de medicamentos para enfermidades graves está sendo mantida sem interrupções. "A palavra espera não existe para os receptores de transplantes. O medicamento é diário. Se não tem, em dias a coisa desmorona", disse à Reuters Alfredo Quintero, de 52 anos, que recebeu um transplante de rim e só tem remédio até o dia 6.

"Recuso-me a ser uma estatística", afirmou Quintero, erguendo a voz juntamente a uma dezena de manifestantes com cartazes nos quais se lia: "SOS, saúde venezuelana em agonia" e "Não podemos esperar". / REUTERS

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