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Colômbia usa resolução antiterror da ONU em sua defesa na OEA

Bogotá invoca direito pós-11/9 de lutar contra terrorismo para justificar bombardeio contra as Farc no Equador

AFP e EFE, Washington, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

A Colômbia justificou ontem durante reunião de emergência do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) o bombardeio de sábado a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, argumentando que foi uma ação contra o terrorismo, e pediu que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, seja investigado por sua ligação com a guerrilha. Funcionários colombianos disseram que o plano de Bogotá era tentar debilitar uma possível condenação pelo ataque em território equatoriano e invocar o direito de legítima defesa, como contempla o Artigo 51 da Carta da ONU. A idéia do governo, segundo vários funcionários, era destacar o apoio dado pelo Equador e a Venezuela a um grupo considerado terrorista pelos EUA e a União Européia. A Carta da ONU e as Resoluções 1.368 e 1.373 do Conselho de Segurança advertem aos países das conseqüências de apoiar ou dar abrigo a grupos terroristas. Essas resoluções foram usadas para justificar os ataques dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, como resposta aos atentados de 11 de Setembro de 2001.Espera-se que a Colômbia também leve a questão do apoio de Chávez às Farc ao Conselho de Segurança da ONU. Na terça-feira, o governo colombiano disse ter descoberto no computador de Raúl Reyes - o número 2 das Farc morto no ataque de sábado - documentos dizendo que Chávez havia dado recentemente US$ 300 milhões às Farc, além de armas.O embaixador da Colômbia na OEA, Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio, mas destacou que foi contra uma "máfia narcotraficante" e disse que seu país tem "sérios indícios" de que há campos das Farc no Equador. "Meu país reclama que as coisas sejam chamadas por seu nome: as Farc são uma máfia narcotraficante, que não representa em nada os interesses do povo colombiano", disse Ospina. Ele também negou que o governo colombiano soubesse dos contatos entre as Farc e o governo equatoriano, como afirma Quito.O Equador, por sua vez, acusou ontem a Colômbia de cometer uma "violação premeditada" de sua soberania. "Nenhuma força militar regular ou irregular pode atuar no território do Equador", disse a embaixadora equatoriana María Salvador. Ela pediu à OEA que convoque uma "reunião urgente" dos chanceleres das Américas, no mais tardar até o dia 11, para tratar da crise diplomática com a Colômbia, solicitação apoiada por Ospina."Solicito à OEA que condene a violação território equatoriano e a soberania do Equador e designe de forma imediata uma comissão para investigar o caso", disse a embaixadora equatoriana.O representante da Venezuela na OEA, Jorge Valero, fez duras críticas à Colômbia, dizendo que "não se pode permitir que a luta contra o terrorismo seja um pretexto para praticar terrorismo de Estado e genocídio". Ele qualificou como uma "grave violação" à carta da OEA e ao direito internacional a ofensiva colombiana."Devemos rejeitar as falácias e mentiras. Não podemos permitir que o tema central do debate seja desviado; que o agredido passe a ser o agressor", disse Valero, referindo-se à afirmação de que a Colômbia atuou em legítima defesa. O Conselho Permanente iniciou no final da noite de ontem um recesso para negociar um acordo de resolução sobre a crise, já que os 34 membros da organização não haviam chegado a um consenso sobre as petições de Equador e Colômbia.A maioria dos países membros da OEA condenou a atuação da Colômbia. Mas muitos se mostraram compreensivos com os esforços de Bogotá na luta contra as Farc.Vários países propuseram que a reunião extraordinária dos chanceleres da OEA seja realizada no dia 25, para permitir que uma missão verificadora investigue os fatos e depois os aborde na reunião.

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