Colômbia vai hoje às urnas em clima de tensão

Sob forte esquema de segurança, que mobiliza 100 mil policiais e 80 mil soldados, os mais de 23 millhões de eleitores colombianos estão convocados a eleger hoje um novo Congresso. A guerrilha esquerdista e paramilitares da direita ameaçam sabotar o pleito que, segundo as autoridades eleitorais, deverá apresentar uma abstenção de até 46%. Os eleitores vão escolher os novos membros da Câmara (166 cadeiras) e do Senado (102) entre 10 mil candidatos - muitos com ficha na polícia ou financiados pelo narcotráfico. O presidente Andrés Pastrana, cujo mandato termina em 7 de agosto, considera essas eleições parlamentares fundamentais para o futuro do país. "Peço a meus compatriotas que votem em massa - única forma de derrotar os violentos", destacou ele numa referência à guerra civil que atinge o país há várias décadas. Ele chamou a atenção dos partidos e eleitores para que impeçam ações danosas de grupos armados ilegais nos distritos eleitorais. "Meu governo deseja que estas eleições sejam limpas e transparentes", acrescentou. Pastrana decretou lei seca e proibiu porte de armas de fogo até seis horas de manhã de segunda-feira. Atuando em conjunto, a polícia, o Exército e o serviço secreto (DAS) prenderam 52 suspeitos de integrar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - guerrilha esquerdista que prometeu sabotar as eleições. Segundo o chefe do DAS, coronel Germán Jaramillo, as forças de segurança apreenderam num populoso subúrbio da capital 85 quilos de um potente explosivo, que seriam utilizados por militantes das Farc para cometer atentados. As Farc (com um total de 17 mil homens) já ameaçaram impedir a realização de eleições em zonas de sua influência no passado, intimidando o eleitorado com assassinatos e seqüestros. As chamadas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, grupo paramilitares com cerca de 10 mil homens) disseram esperar que pelo menos um terço dos futuros congressistas defendam seus interesses. As AUC, criadas por grupos ultradireitistas para combater a guerrilha esquerdista, atuam com extrema crueldade no interior do país, torturando e assassinando camponeses e políticos. Segundo relatório da Justiça colombiana, cem candidatos foram condenados ou enfrentam processos por diversos crimes - violação, furto, extorsão, fraude e fabricação clandestina de armas. Desse total, 70 disputam cadeiras no Senado e 30, na Câmara. Segundo o arcebispo de Cali, monsenhor Isaias Duarte, alguns candidatos do Departamento de Valle (sudoeste do país) tiveram suas campanhas eleitorais financiadas pelo narcotráfico. Essa denúncia está sendo investigada pela promotoria-geral. O promotor-chefe Justo Pastor Rodriguez alertou os eleitores colombianos no sentido de que levem em conta os antecedentes dos candidatos na hora de votar.O diretor do Registro Nacional do Estado Civil, Iván Duque, acha que o comparecimento às urnas vai girar em torno de 54% a 55% - um número que ele considera bom. Nas eleições gerais de 1998, a abstenção foi de 55%. Duque fundamenta seus cálculos "nas garantias de que o pleito poderá ser realizado nos 1.097 municípios do país". Ele acrescentou que todas as cidades receberam material eleitoral. "Em todas elas teremos votação", insistiu ele. Este é um importante ano eleitoral na Colômbia, que culminará com eleições presidenciais de dois turnos - o primeiro em 26 de maio e o segundo em 16 de junho, se nenhum dos candidatos obtiver a metade mais um dos votos válidos.

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