Colômbia volta ao impasse dos anos 60, diz especialista

"O fim do diálogo com as FARC mergulha outra vez a Colômbia no impasse militar que teve início nos primeiros anos da guerra civil, na década de 60", declarou nesta quinta-feira à Agência Estado o chefe do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Javeriana de Bogotá, Juan Carlos Ruiz. "Nem as FARC têm capacidade militar para tomar o poder, nem o Exército tem como derrotar as FARC.""Há setores duros no Exército governamental que acreditam que a atual cooperação com os militares americanos os capacitou a vencer a guerrilha. Eles terão alguns meses para provar que estão certos", afirmou Ruiz. "Se não conseguirem, em pouco tempo estaremos falando de novo em processo de paz."O professor acredita que o grande prejudicado com a decisão do presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, de romper as negociações com as FARC, foi o líder nas pesquisas para a eleição presidencial de 26 de maio, o direitista Alvaro Uribe."O fim do processo de paz e a retomada da zona desmilitarizada deixaram Uribe sem um projeto de administração na reta final da campanha", disse. "Nenhum outro ponto de seu programa de governo seduzia tanto os eleitores quanto a promessa de endurecer a negociação com a guerrilha. Com seu principal discurso esvaziado, ele deve perder espaço político, e o candidato do Partido Liberal, Horacio Serpa, que tem apoio mais consistente, deve crescer."Ruiz declarou também não acreditar que, como represália pelo fim das negociações de paz, as FARC lancem uma campanha de sabotagem ao proceso eleitoral que começa em abril - com a realização de eleições para o Congresso. "Não deve haver sabotagem. Não porque as FARC tenham se comprometido a não fazê-la, mas porque, em meio à tarefa de estabelecer novas bases, os rebeldes não terão como reagrupar-se a tempo para ações de grande porte."

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