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Colômbia vota em peso em 'partido das milícias'

Resultado obtido pelo recém-criado PIN, o quarto mais votado nas eleições para o Congresso, expõe a força de paramilitares nas províncias

AP, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

BOGOTÁ

Um novo partido acusado de ter ligações com grupos criminosos de direita emergiu como uma inesperada força nas eleições legislativas de domingo na Colômbia, ampliando as preocupações do presidente Álvaro Uribe, que fracassou em acabar com os paramilitares nas províncias.

O Partido Integração Nacional (PIN) tornou-se a quarta agremiação mais votada nas eleições para renovar o Congresso, já afetado por deputados ligados às milícias de direita. O partido é formado principalmente por parentes e amigos de deputados presos ou sob investigação por supostas ligações com paramilitares. O PIN conquistou cerca de 1 milhão de votos, apesar de os aliados de Uribe estarem na frente.

"Não é nenhum segredo que as máfias do narcotráfico e alguns remanescentes dos grupos paramilitares estejam infiltrados no sistema político da Colômbia", disse Michael Shifter do centro de estudos de Washington Diálogo Interamericano. "Mas sua capacidade de se organizar politicamente no atual contexto é notável, e profundamente preocupante."

As autoridades eleitorais da Colômbia iniciaram ontem a recontagem final dos votos das eleições legislativas e da consulta do Partido Conservador, para saber o quanto antes a composição do Congresso e o vencedor da disputa pela nomeação presidencial da aliança governista. É dada como certa a candidatura do ex-ministro da Defesa Manuel Santos.

Apesar de o Partido Conservador de Uribe ter dominado a votação, na qual foram eleitos 102 senadores e 166 deputados, ainda não se conhece a composição definitiva do Congresso. O atraso na contagem foi provocado pela complexidade das cédulas eleitorais e falhas técnicas nas transmissões de dados.

A votação de domingo é um indicador-chave da preferência dos colombianos para as eleições presidenciais de 30 de maio e um medidor da performance de Uribe contra os dois principais desafios do país andino: o crime organizado e a corrupção envolvendo o narcotráfico. Uribe permanece altamente popular na Colômbia por ter enfraquecido as guerrilhas esquerdistas, mas o presidente não conseguiu reduzir o poder dos grupos paramilitares.

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