Drug Enforcement Administration via The New York Times
Drug Enforcement Administration via The New York Times

Colombiano que usava filhotes como 'mulas' pega 6 anos de prisão nos EUA 

Caso foi mais uma lembrança de quão longe os traficantes de drogas podem ir para conseguir transportar produtos ilícitos pela fronteira

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 18h09

NOVA YORK - Uma corte distrital de Nova York sentenciou na quinta-feira, 7, um veterinário colombiano, identificado como Andres Lopez Elorez, a 6 anos de prisão por conspirar para importar heroína colocada no estômago de filhotes de cachorro, uma prática conhecida como "mula". 

Há 14 anos, a polícia da Colômbia estourou uma clínica veterinária improvisada em uma fazenda em Medellín, encontrando 17 sacos de heroína líquida e resgatando uma matilha de filhotes de raça pura que estavam prestes a ter seus estômagos enchidos com a droga. 

O caso foi mais uma lembrança de quão longe os traficantes de drogas podem ir para conseguir transportar produtos ilícitos pela fronteira. 

Apesar de esse não ter sido o primeiro caso de um traficante usar filhotes como 'mulas de drogas', chama atenção o fato de seu julgamento ter ocorrido dois andares abaixo de onde jurados estavam deliberando sobre o destino de Joaquín Guzmán Loera, o traficante mexicano conhecido como "El Chapo", que ganhou notoriedade, entre outros fatos, por suas técnicas de contrabando. 

Testemunhas detalharam que as técnicas de El Chapo incluíam sistema de transporte de drogas por embarcações marítimas, nas camas de cabines de caminhões e até em latas de pimenta. 

Segundo reportagem do New York Times, uma dos procuradores do caso El Chapo, Andrea Goldbarg, desceu até à sala de baixo para ouvir a sentença sobre o caso dos filhotes. 

Uma promotora no caso do colombiano, Alicia Washington, afirmou à corte que quando os policiais encontraram os filhotes, alguns deles já estavam com a heroína no estômago e outros eram preparados para serem operados.

Os policiais tentaram retirar as bolsas de drogas em cirurgias de emergência e três deles morreram após contraírem vírus na cirurgia. Os outros filhotes sobreviventes encontraram novos lares. Uma Rottweiler, que ganhou o nome de Heroína, é hoje uma cadela farejadora de drogas da polícia nacional colombiana enquanto um beagle foi adotado por um policial colombiano. 

Pedindo ao juiz que imputasse responsabilidade a Elorez por "trair sua responsabilidade como veterinário", a acusação sugeriu ao menos nove anos de prisão. "Sem seu talento esse traficante colombiano não teria feito o que ele fez." 

Elorez, agora com 39 anos, reconheceu culpa por conspiração em setembro. Falando com ajuda de intérprete, ele disse que o período de cinco meses em 2005 quando ele alugou a fazenda, pegou os filhotes e fez as cirurgias foi "muito difícil para ele". 

O processo mostra que Elorez não trabalhou sozinho. Seu advogado nomemado pela corte, Mitchell Dinnerstein, mencionou um veterinário, sem citar nome, de "alguma influência" na Colômbia, que nunca foi preso por ligação com esse caso. Esse veterinário, que tem ligações com traficantes de drogas, teria sido mentor de Elorez no projeto dos filhotes, segundo Dinnerstein. 

Segundo Elorez, seu mentor fez tudo que podia "profissionalmente para ajudá-lo. "Ele até me ensinou que havia uma porta que eu nunca deveria abrir, mas infelizmente eu abri." 

Então, no dia 1º de janeiro a polícia colombiana estourou o cativeiro em Medellín apreendendo 17 sacos de heroína líquida - 10 já tinham sido colocados nos filhotes -, em um total de 3 quilos de drogas.

Nascido na Colômbia, Elorez tinha cidadania americana e era considerado fugitivo quando foi preso na Espanha em 2015. Ele foi extraditado para os EUA em maio de 2018. / NYT 

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