Colombianos pedem que diálogo com as Farc prossiga

Colombianos pedem que diálogo com as Farc prossiga

Milhares de pessoas se manifestaram em Bogotá e estudantes começaram a acampar na Praça Bolívar em favor de negociações com a guerrilha

Fernanda Simas, ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 05h00

Enquanto o governo do presidente Juan Manuel Santos tenta salvar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ao dialogar com opositores políticos que fizeram campanha pelo “não” no plebiscito de domingo, centenas de colombianos realizam manifestações pelo país pedindo que as negociações de paz não acabem.

Cerca de 30 mil pessoas se manifestaram na noite de quarta-feira em Bogotá. A manifestação foi convocada por universidades e reuniu pessoas favoráveis ao acordo e algumas contrárias, mas que pedem a continuidade das conversas. Outras “marchas pela paz” ocorreram em mais 15 cidades. Desde ontem, diversos estudantes começaram a acampar na Praça Bolívar de Bogotá e o movimento pode se espalhar a outras praças e outras cidades. 

A estudante e partidária do “sim” Katherine Miranda afirmou a canais locais que a iniciativa tem a intenção de pedir que o acordo seja concluído e o cessar-fogo, mantido. Segundo ela, mais de 50 barracas devem ocupar a Praça até a sexta-feira. 

As Farc reagiram aos protestos agradecendo o apoio e indicando que a mobilização mostra que os acordos não precisam ser renegociados. “Esperamos nos encontrar logo com os partidários do ‘sim’, os do ‘não’ e as maiorias que não votaram para que nos acompanhem na aplicação do acertado”, escreveu no Twitter o líder da guerrilha, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko.

Ontem, o chefe negociador das Farc, Luciano Marín Arango, conhecido como Iván Márquez, também se pronunciou. “É preciso escutar os 6 milhões (de pessoas) do ‘não’, os 6 milhões do ‘sim’, mas também os 20 milhões de abstenções. Concordam?” Na quarta-feira, ele já havia comentado as manifestações. “Diante desse enorme respaldo da Colômbia à paz, juramos não dar passos atrás.”

Durante as marchas, as Farc postaram uma foto comparando a manifestação da noite de quarta-feira com uma manifestação de 1948, com a legenda “somos capazes senhor presidente de sacrificar nossas vidas para salvar a tranquilidade e a paz na Colômbia”. A frase foi dita por Jorge Eliecer Gaitán em 7 de fevereiro de 1948 na Praça Bolívar, quando 50 mil pessoas se manifestaram após a morte, em dezembro de 1947, do dirigente liberal Jorge Armando Cortés, morto por policiais em Boyacá ao lado da mulher e do irmão.

As movimentações políticas continuam na Colômbia. Ontem o senador do Partido de La U Armando Benedetti pediu à Corte Constitucional que revise a convocação e realização do plebiscito de domingo em razão dos estragos provocados pelo furacão Matthew na costa do país - o que impediu centenas de colombianos de votarem.

O ministro do Interior, Juan Fernando Cristo, disse que o governo não avalia no momento repetir o plebiscito e está empenhado em ouvir as vozes do “não” e organizações de vítimas para obter um acordo que agrade a todos e sair da situação de incerteza. 

 

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