Colombianos votam em tranquilidade

Em meio a um excepcional esquema de segurança, milhares de colombianos compareceram neste domingo às urnas para renovar o Congresso. As primeiras horas da votação - que ocorreu alguns dias depois da decisão do presidente Andrés Pastrana de romper as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - transcorreram sem incidentes graves. Houve problemas em apenas 15 dos 1.097 municípios colombianos.Em alguns deles, grupos guerrilheiros destruíram o material eleitoral e intimidaram os eleitores. O forte esquema de segurança que mobilizou 100 mil policiais e 80 mil soldados foi adotado por causa das ameaças tanto da guerrilha esquerdista quanto dos grupo paramilitares de sabotar as eleições.Mais de 23 milhões de eleitores colombianos foram convocados para eleger 102 senadores e 166 deputados entre cerca de 10 mil candidatos - pelo menos cem deles com ficha na polícia e alguns acusados de terem as campanhas eleitorais financiadas pelo narcotráfico."Os eleitores estão comparecendo em massa aos distritos eleitorais em todo o país", disse o ministro do Interior, Armando Estrada, incluindo em na estimativa o antigo enclave rebelde de 42 mil quilômetros quadrados - sede durante 3 anos da malograda negociação de paz entre o governo de Pastrana e as Farc. O comparecimento foi maior na capital colombiana, que tem cerca de 7 milhões de habitantes.Segundo Estrada, nos 15 municípios ameaçados pela guerrilha o processo de votação sofreu atrasos. Eles ficam nos departamentos de Antioquia, Boyaca, Cauca, Choco, Guaviare e Vaupes. O país tem 36 departamentos. O general Fernando Tapias, comandante do chamado Plano Democracia (segurança do pleito), informou que, salvo algumas tentativas isoladas de sabotagem por parte da guerrilha, a situação em todo o país até o fim da tarde de hoje era de normalidade. "Dispomos de uma balanço muito positivo e otimista quanto à situação da segurança. A maioria das tentativas de desestabilizar o processo eleitoral foi neutralizada", disse.Tapias revelou que poucas horas antes do início da votação oito rebeldes das Farc morreram em tiroteios com unidades militares em Antioquia e Boyaca. O general colombiano admitiu, no entanto, que os rebeldes derrubaram uma importante torre de comunicações no sul do país.Embora o Ministério do Interior constatasse grande afluência de eleitores nos postos de votação pela manhã, as estimativas oficiais indicavam uma abstenção de mais de 45%, fundamentando-se numa tradicional apatia do eleitorado colombiano em relação a eleições legislativas. Nas eleições de 1998, o índice de abstenção alcançou 55%.Historicamente, dois partidos controlam o Congresso colombiano: o Conservador e o Liberal. Atualmente, os liberais dispõe de maioria nas duas Casas, mas os conservadores estão no governo, com o presidente Pastrana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.