Avshalom Sassoni/Pool/EFE/EPA
Avshalom Sassoni/Pool/EFE/EPA

Colono israelense é condenado por triplo homicídio de família palestina

Tribunal considerou Amiram Ben-Uliel culpado de tentativa de assassinato, incêndio criminoso e conspiração para cometer crime racista

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 16h24
Atualizado 18 de maio de 2020 | 16h35

LOD, ISRAEL - Um colono israelense foi condenado nesta segunda-feira, 18, por um tribunal de seu país pelo assassinato de um bebê palestino e seus pais durante um incêndio criminoso na residência deles, na Cisjordânia, em 2015. 

O tribunal de Lod (centro) também considerou Amiram Ben-Uliel culpado de tentativa de assassinato, incêndio criminoso e conspiração para cometer um crime racista. 

Em julho de 2015, Ali Dawabcheh, um bebê de 18 meses, morreu queimado enquanto dormia e seus pais, Saad e Riham, morreram algumas semanas depois em decorrência das queimaduras depois que dispositivos incendiários foram lançados na casa da família em Duma, entre Nablus e Ramallah, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967. Somente o irmão de Ali, Ahmed, de 4 anos na época, sobreviveu à tragédia.

"Durante o interrogatório, o suspeito admitiu ter cometido o ataque, deu detalhes e reconstituiu o que aconteceu naquela noite", informou a Promotoria.

O crime gerou indignação nos territórios palestinos, em Israel e entre a comunidade internacional. Hoje, quando o avô Husein Dawabsha disse a Ahmed que uma pessoa havia sido condenada, o menino exclamou: "Só uma?!"

"Estamos convencidos de que o incêndio foi orquestrado por mais de uma pessoa", afirmou Naser Dawabsha, tio de Ahmed, à agência France Presse, após o anúncio do veredito. "Agora, temos medo de ser alvo da vingança de outras pessoas que incendiaram a casa."

Para Husein Dawabsha, não há motivo para alegria. "De toda forma, somos incapazes de comemorar qualquer coisa, não há mais alegria em nosso lar", disse, em sua residência, localizada em Duma. A família assinalou que espera "uma sentença severa" para Ben-Uliel.

'Ato de vingança'

"O tribunal encontrou provas que sustentam sua confissão. Trata-se de um ataque de caráter racista cometido como um ato de vingança pela morte de Malachi Rosenfeld", um judeu morto pelos palestinos em junho de 2015.

Embora o tribunal tenha reconhecido a culpa de Amiram Ben Uliel na morte da família Dawabsha, não considerou as acusações de envolvimento em uma organização terrorista. Também não definiu uma data para anunciar a sentença, que pode ser de prisão perpétua.

Nesta segunda-feira, Amiram Ben Uliel, de camisa branca e máscara de proteção, compareceu ao tribunal de Lod, cercado por agentes de segurança.

O condenado não quis testemunhar no julgamento e foi condenado com base em sua confissão dos fatos durante um interrogatório no momento de sua prisão.

Seu advogado, Asher Ohayon, criticou  na rádio Kan o uso das confissões que, segundo ele, foram obtidas sob "tortura contínua por três semanas" do Shin Bet, o serviço israelense de segurança interna. 

A organização israelense Honenu, que presta assistência jurídica à defesa dos condenados, indicou que recorrerá da decisão na Suprema Corte do país. 

Na última década, a colonização na Cisjordânia acelerou, alimentada pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Atualmente, mais de 450 mil pessoas (um aumento de 50% em 10 anos) vivem nessas colônias. 

A questão está mais atual do que nunca com o novo governo de união em Israel, que deve anunciar a partir de 1º de julho sua estratégia para a implementação de um projeto americano que prevê que Israel anexe essas colônias na Cisjordânia. /AFP

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