Thomas Coex/AFP
Thomas Coex/AFP

Colonos israelenses resistem à retirada de área privada na Cisjordânia 

A colônia de Amona foi declarada ilegal pela Justiça israelense e a Suprema Corte ordenou a desocupação em 2014

O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2017 | 16h57

AMONA - Dez policiais israelenses ficaram feridos nos enfrentamentos com colonos que resistiram à operação para desocupar um assentamento judaico de Amona, construído em áreas privadas no território palestino ocupado da Cisjordânia. Eles deveriam deixar o local em cumprimento de uma ordem do Tribunal Supremo israelense.

Sete famílias deixaram suas casas voluntariamente na manhã desta quarta-feira, 1º, e a polícia continuava negociando com os líderes da comunidade para "convencê-los a saírem", afirmou o porta-voz policial Micky Rosenfeld. "Não está sendo uma desocupação pacífica. Atiram pedras, líquido ácido e há oficiais feridos", acrescentou.

Sem armas à vista, mas com mochilas, centenas de policiais passaram ao longo de pneus em chamas e afastaram dezenas de jovens nacionalistas israelenses que foram à localidade apoiar os moradores.

Eles chegaram ao local nos últimos dois dias para mostrar seu apoio e resistir à expulsão e acabaram entrando em confronto com a polícia.

Segundo o plano estipulado, a polícia removerá hoje todas as famílias e fechará as casas, que devem ser demolidas amanhã.

O Exército israelense cerca o perímetro exterior do assentamento, situado ao nordeste de Ramallah e onde até hoje moravam 42 famílias de colonos, cerca de 240 pessoas.

Aproximadamente 3 mil soldados das Forças de Segurança participam da operação, enquanto cerca de 2 mil pessoas - a maioria colonos jovens e adolescentes - protestam em Amona contra a retirada.

Amona é o maior de dezenas de postos avançados erguidos na Cisjordânia sem autorização oficial.

A colônia está localizada em terrenos de propriedade privada palestina, por isso foi declarada ilegal pela Justiça israelense (para a legislação internacional, todos os assentamentos em território ocupado são) e a Suprema Corte ordenou em 2014 sua desocupação.

Desde então, o governo israelense conseguiu adiamento após adiamento, até que na última terça-feira a Corte ordenou que sua sentença fosse cumprida em 48 horas.

O Executivo apresentou uma proposta de realocação em terras próximas, também em território ocupado, e a ONG israelense Yesh Din pediu sua rejeição em nome dos palestinos que reivindicam a propriedade dos terrenos. 

No topo de uma colina próxima, Issa Zayed, um palestino que disse ser um dos donos da terra na qual Amona foi erguida, observava a cena com binóculos. "Com a ajuda de Deus, será esvaziada e nossa terra voltará para nós", disse.

Mais cedo, Israel anunciou planos de construir mais 3 mil casas em assentamentos na Cisjordânia. / EFE e REUTERS 

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