Colonos na Cisjordânia já pensam em indenização

Há 15 anos, quando Benny Raz chegou com a família, Karnei Shomron parecia uma escolha óbvia. Com preços baixos e empréstimos subsidiados, Raz comprou uma casa de sete quartos, com uma linda vista e a poucos minutos de carro das principais cidades do centro de Israel. "Vim para ter uma boa vida, não por ideologia", conta.Karnei Shomron e seus 5 mil habitantes estão encravados no meio da Cisjordânia, próximos à cidade palestina de Nablus. Pela lei internacional, o assentamento judaico é ilegal. Mas Raz e seus vizinhos não se consideram "colonos". Como eles, dezenas de milhares de judeus israelenses instalaram-se na Cisjordânia apenas para aproveitar os subsídios.Agora, Raz percebe que não há lugar para os "colonos econômicos" como ele em um possível acordo de paz com os palestinos. Por isso, ajudou a fundar a organização Uma Casa, que pede do governo compensação financeira para voltar a Israel. "O governo me ajudou para vir, agora tem de me ajudar a sair."A vontade de deixar o lugar vem crescendo gradualmente. Começou com a violência da Segunda Intifada, que chegou ao coração do assentamento em fevereiro de 2002, quando um homem-bomba se explodiu no shopping center local. Três adolescentes morreram. Raz, que estava lá com sua filha, perdeu a audição de um dos ouvidos. Depois disso, Raz viu o aumento do postos de controle do Exército e o crescimento da sensação de vulnerabilidade. Quando Israel começou a construir seu imenso muro de concreto, a sinuosa rota da barreira não foi longa o suficiente para abranger Karnei Shomron - 70 mil colonos do leste da Cisjordânia ficaram de fora. O perfil do assentamento também mudou, com os israelenses seculares perdendo espaço e influência para grupos mais religiosos e militantes. Então, há quatro anos, quando soldados retiraram colonos da Faixa de Gaza, Raz deu-se conta de que o mesmo poderia acontecer com ele e começou a pedir ajuda aos políticos. "Se Israel tem um plano para me tirar daqui, não quero esperar, podem me levar agora. Mas preciso de ajuda", diz. Raz poderia simplesmente vender sua casa, mas conseguiria um preço muito menor do que pagou. Um ex-parlamentar de esquerda chegou a escrever um projeto prevendo compensação financeira para os colonos que saíssem voluntariamente. Mas os políticos de direita, hoje maioria no governo, não querem ouvir as preocupações de Raz.

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