Colonos prometem 13 mil casas após 'degelo'

Construções em território palestino voltarão com força total caso Israel não estenda moratória nos assentamentos

Nathalia Watkins ESPECIAL PARA ?O ESTADO? TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

Segundo um relatório divulgado pelo movimento Paz Agora, que defende a retirada israelense dos territórios ocupados em 1967, quase 13 mil casas podem ser construídas em assentamentos na Cisjordânia imediatamente após o dia 26 - quando expira o congelamento de dez meses decretado pelo primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu.

"Temos 300 casas quase prontas que serão terminadas ao fim da moratória. Outras 2.500 unidades estão aguardando a aprovação de Netanyahu para ser construídas dentro de um ano", afirmou ao Estado Benny Kashriel, prefeito de Maale Adumim, assentamento nos arredores de Jerusalém. "A moratória reduziu o moral dos moradores, elevou os preços dos imóveis e diminuiu a receita da prefeitura em 10 milhões de shekels (US$ 2,6 milhões) ao ano."

Naftali Bennett, diretor do Conselho Yesha, que representa os colonos, acredita que as construções serão retomadas conforme o previsto. "A única diferença entre as casas construídas na Cisjordânia e qualquer outra construção em território israelense é que elas protegem o povo da infiltração do Islã radical."

Caso decida estender o congelamento, Netanyahu corre o risco de ver sua coalizão - integrada por partidos de colonos - ruir. O fim do congelamento limita a margem de manobra de Bibi nas negociações com os palestinos.

"Se Netanyahu mantiver a moratória, vão dizer que ele cedeu à pressão americana. Se retomar as construções, vão dizer que o fez só para provar que tem personalidade. Parece que Netanyahu vai exigir que Abbas reconheça Israel como o Estado judeu para colocá-lo na mesma situação. Os dois vão recusar as exigências e haverá um equilíbrio de acusações", avalia Nahum Barnea, do jornal Yedioth Ahronot.

Para Avraham Sela, da Universidade Hebraica de Jerusalém, palestinos não negociarão se construções forem retomadas. "As partes não estão entusiasmada com as negociações. E essa questão pode pôr tudo a perder."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.