Colonos radicais partem para o ataque em Israel

Atentado a pacifista judeu expõe tensão nos assentamentos da Cisjordânia

Isabel Kershner, The New York Times, Yitzhar, Cisjordânia, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

Uma bomba explodiu na noite de quarta-feira passada em Jerusalém, na frente da casa de Zeev Sternhell, professor da Universidade Judaica, ferindo-o levemente. Sternhell é conhecido por suas críticas veementes aos assentamentos israelenses na Cisjordânia e chegou a sugerir que os palestinos "deveriam concentrar sua luta contra os assentamentos". As autoridades encontraram folhetos nas proximidades da casa dele nos quais eram oferecidos US$ 300 mil a quem matasse um integrante do Paz Agora, grupo israelense de esquerda, o que levou a suspeitar que colonos judeus militantes, ou seus simpatizantes, estivessem por trás do atentado. Neste caso, o ataque poderia ser o sinal mais recente de que elementos do movimento dos colonos de Israel estão recorrendo a táticas extremistas para proteger suas casas na Cisjordânia não apenas contra palestinos, mas contra judeus que, segundo alguns colonos, estão traindo sua causa. Colonos radicais dizem que estão decididos a mostrar que seus assentamentos e postos avançados não podem ser desmantelados - nem pela lei e nem pela força. Surtos de violência pela ação de colonos ocorrem há anos, entretanto, agora, parece que os militantes resolveram adotar uma estratégia de resistência mais definida, destinada a intimidar o Estado. Essa doutrina agressiva, segundo Akiva HaCohen, de 24 anos, considerado um de seus arquitetos, convoca os colonos e seus defensores a reagir "sempre, onde e do modo que quiserem" a qualquer tentativa do Exército ou da polícia de encostar a mão nas propriedades construídas ilegalmente em postos avançados, que terão de ser abandonadas por ordem do governo. Entre os colonos, a política é chamada de "etiqueta de preço" ou "preocupação mútua". Além de estabelecer um preço para as ações do Exército e da polícia, a doutrina também encoraja os colonos a vingar atos de violência palestinos, tomando a lei em suas próprias mãos - abordagem que tem o potencial de incendiar a Cisjordânia. Nas últimas semanas, colonos mais extremistas reagiram a limitadas operações do Exército bloqueando estradas, provocando tumultos e apedrejando veículos palestinos em toda a Cisjordânia, território que Israel ocupa desde 1967. FATOR RELIGIOSOA ala religiosa ideológica do movimento dos colonos tornou-se mais radical. Os que pertencem ao grupo extremista rejeitam cada vez mais a lealdade ao Estado, no que têm o apoio de uma geração mais antiga de rabinos e dos colonos pioneiros. Na Cisjordânia (que os colonos chamam pelo nome bíblico de Samaria), e em Binyamin, o distrito central ao redor da cidade palestina de Ramallah, os colonos tiraram recentemente seus representantes mais moderados nas eleições para as Câmaras municipais, votando em candidatos que definiram como "ativistas". Novos prefeitos, como Gershon Mesika, de Samaria, repudiam o que consideram as medidas mais comprometedoras do Conselho de Yesha, o grupo principal do movimento dos colonos, fundado há muito tempo. Eles ficaram particularmente furiosos com a disposição de vereadores de negociar com o governo a retirada ou a redistribuição de alguns dos postos avançados na Cisjordânia em troca da autorização oficial para outros assentamentos. "Estamos tomando o destino em nossas mãos", afirmou Mesika. Fora do assentamento de Har Bracha, no Monte Grizim, os colonos tomaram um antigo posto de observação do Exército acima de Nablus e da Tumba de José, e começaram a operar uma yeshiva (escola religiosa) para garantir presença permanente no lugar. Ninguém tentou expulsar os colonos, embora exista uma base do Exército perto dali. Em geral, a relação entre os colonos religiosos da área e o Exército é ambígua - há uma tolerância com as ações de colonos. Mas um porta-voz da polícia, responsável pela aplicação da lei na região, disse que, nos dois últimos meses, foram feitas pelo menos seis prisões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.