Gabe Ginsberg/Getty Images/AFP
Gabe Ginsberg/Getty Images/AFP

Com 1 atirador em ação por dia, debate sobre porte de armas retorna nos EUA

Apoiado por entidade que faz lobby pela venda de armamentos, Trump evita se posicionar sobre controle mais rígido para a população

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2017 | 06h00

Os EUA registraram um caso de tiroteio em massa para cada dia do ano, de longe o mais elevado índice entre as nações desenvolvidas. O país inclui neste cálculo todos os incidentes com armas de fogo que deixem quatro ou mais pessoas mortas ou feridas, além do atirador. Nos primeiros 275 dias do ano, houve 273 ataques do tipo. A maioria dos casos não ganha notoriedade por não deixar muitas vítimas ou não terminar em mortes. O ataque de Las Vegas foi o mais devastador da história moderna americana e reacendeu o debate sobre o controle de armas, um ritual que se repete a cada grande matança no país que tem quase tantas armas quanto habitantes.

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A Casa Branca disse que o presidente Donald Trump considera “prematuro” discutir o assunto. No pronunciamento que fez na manhã de ontem, o republicano não mencionou a palavra “armas” nem se referiu ao debate que divide há anos a sociedade americana. Em geral, democratas defendem restrições, enquanto os republicanos se opõem a elas. 

Cada vez que enfrentou uma tragédia semelhante, o ex-presidente Barack Obama pediu, em vão, que o Congresso aprovasse medidas de controle ao acesso de armas, entre as quais checagem mais rigorosa de antecedentes criminais, avaliação psicológica dos que compram armas e limites para os cartuchos de munição usados em fuzis semiautomáticos.

Derrotada por Trump em novembro, a democrata Hillary Clinton repetiu suas posições de campanha e defendeu ontem o endurecimento da legislação sobre o assunto. 

“Nossa dor não é suficiente. Nós podemos e temos de deixar a política de lado, enfrentar a NRA e trabalhar juntos para evitar que isso aconteça de novo”, escreveu Hillary no Twitter, fazendo referência à Associação Nacional do Rifle, o lobby pró-armas que apoiou a candidatura de Trump. 

O presidente é contrário a qualquer forma de controle e se apresenta como um paladino da Segunda Emenda, que trata do porte de armas. O Estado de Nevada, onde ocorreu o massacre de domingo, tem uma das mais lenientes legislações dos EUA sobre o assunto. 

Informações preliminares indicam que o atirador Stephen Paddock comprou de maneira legal as armas que levou ao hotel Mandalay. Quase 20 rifles foram encontrados no seu quarto, segundo o New York Times, entre os quais fuzis militares AR-15. Paddock também tinha centenas de cartuchos de munição.

O gerente geral da loja Guns & Guitars, Christopher Sullivan, disse que o atirador comprou um revólver e dois rifles em sua loja no ano passado. “O homem não tinha histórico criminal”, disse ele ao New York Times. “Mas, em relação ao que passa na mente de uma pessoa, eu não posso falar nada.”

Muitos dos fãs e músicos do festival de música country são simpatizantes de Trump e defensores da Segunda Emenda. Mas o ataque mudou a opinião de pelo menos um deles, o guitarrista Caleb Keeter, da banda Josh Abbott. “Nós precisamos de controle de armas imediatamente”, escreveu no Twitter. “Meu grande erro for não ter percebido isso até que meus irmãs de estrada e eu mesmo estivéssemos ameaçados.”

 

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