Com 152 mortos, ataque de Tal Afar é o mais letal da guerra

O governo do Iraque elevou neste sábado, 31, para 152 o número de vítimas de um caminhão-bomba na cidade de Tal Afar, no Iraque, e avaliou o atentado como o mais letal da guerra que dura quatro anos. O porta-voz do Ministério do Interior, brigadeiro Abdul Kareem Khalaf, disse que 347 pessoas ficaram feridas no ataque da última terça-feira, 27, em uma área xiita. Houve a explosão de outro caminhão-bomba na cidade do noroeste de Iraque também na terça, mas o número de vítimas foi bem menor. Khalaf disse que 100 casas foram destruídas na explosão, que foi realizada, segundo as autoridades, pela Al-Qaeda, a rede terrorista liderada por Osama Bin Laden. A explosão causou uma cratera de 23 metros de comprimento. "Levamos algum tempo para recuperar todos os corpos sob os escombros das casas. O que eles conseguiram ao usar duas toneladas de explosivos para matar e ferir 500 pessoas em uma área residencial?", disse Khalad em entrevista a jornalistas. A semana que passou foi a mais violenta no Iraque desde que o governo lançou uma campanha de segurança em Bagdá em fevereiro visando conter a guinada do país na direção de uma guerra civil. Ataques a bomba, supostamente cometidos pela organização sunita islâmica Al-Qaeda, mataram 40 pessoas em áreas xiitas em todo o país na semana passada. Carros-bomba mataram nove pessoas neste sábado, 31, informou a polícia. Foco de esperançaAutoridades disseram antes esta semana que 85 pessoas haviam morrido no atentado de Tal Afar, o que gerou ataques em represália por homens armados e polícia em um bairro sunita da cidade, algumas horas depois. Cerca de 70 pessoas foram mortas nas represálias, segundo a polícia, mas Khalaf afirmou que foram 47 as mortes. Ele disse que a maior parte dos ataques foi realizada pela polícia. A maioria da força policial é xiita. Há cerca de um ano, o presidente norte-americano George W. Bush chamou Tal Afar de um foco de esperança para o Iraque, logo depois que todos os militantes da Al Qaeda foram expulsos por uma ofensiva dos Estados Unidos. O novo embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, reiterou a apoio de Washington ao governo do Iraque. "Ele (Bush) foi muito claro e muito determinado em manter seu apoio total ao governo e ao povo", disse Crocker em sua primeira entrevista à imprensa. "Vimos sinais encorajadores de progresso, mas temos de continuar a ter avanços." AtaquesEm Bagdá, um carro-bomba em frente a um hospital em uma área xiita matou cinco pessoas e feriu 22, disse a polícia. Quatro pessoas morreram e 20 ficaram feridas por um carro-bomba na cidade xiita de Hilla, sul de Bagdá. Homens armados atacaram um veículo transportando funcionários civis de uma base militar iraquiana perto de Hawija, 70 km a sudoeste de Kirkuk, matando oito pessoas e ferindo duas, disse a polícia. Quatro irmãos estão entre os mortos. Em meio a temores de que o país esteja adentrando uma guerra civil, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki pediu moderação na sexta-feira, exortando os iraquianos a não se deixarem levar pelas divisões propagadas pelos "malfeitores." O presidente Jalal Talabani disse que o governo estava em negociações com grupos armados, mas não deu detalhes. Autoridades iraquianas disseram no passado que estavam em negociações com rebeldes sunitas. Essas negociações são preliminares. "Há muitos grupos armados que começaram negociações com o governo iraquiano", disse Talabani, sem entrar em detalhes. Antes de partir do Iraque na segunda-feira no fim de sua missão, o embaixador norte-americano Zalmay Khalilzad disse que os Estados Unidos e as autoridades iraquianas haviam contatado grupos rebeldes sunitas para criar uma aliança contra a Al-Qaeda.

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