Com 32% de apoio, independentistas buscam voto jovem

Na busca por eleitores, o movimento separatista escocês vai buscar justamente no voto dos jovens um apoio que garanta a independência do país. Assim como na Catalunha, os escoceses não têm assegurada uma vitória no referendo de 2014. Hoje, apenas 32% da população apoia a independência. Mas os partidos estão convencidos de que, em dois anos, esses números poderão mudar diante do grande número de pessoas que ainda não tomaram posição. Principalmente se a crise continuar e se a nova geração for convencida de que viverá melhor fora da Grã-Bretanha.

EDIMBURGO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h02

Para reverter as projeções das pesquisas, os partidos pró-independência fizeram questão de que o referendo permita o voto de jovens a partir de 16 anos, algo que a oposição rejeitava. "Agora é o momento de a Escócia escolher seu futuro", disse Alex Salmond, líder do Partido Nacionalista Escocês (PNE).

A avaliação é de que, em toda a Europa, a camada mais jovem da população tem punido de forma severa os tradicionais partidos no poder, buscando novas opções. Na Escócia, os responsáveis pela campanha pela independência estimam que essa tendência poderia ser revertida em um apoio pela formação de um novo país.

Para estudantes consultados pelo Estado, a campanha ainda não tem grande apelo. Num pub de Edimburgo, um dos garçons - Alex Fleming - se disse totalmente contrário à independência. "Isso é para distrair o público, enquanto a situação está muito ruim mesmo para todos", disse.

Na avaliação de outros, a independência só faria sentido se resultasse em melhores condições de vida para a próxima geração. "Eu não tenho emprego hoje e não sei se estando num país independente isso mudaria", alertou Emma, estudante de biologia. A taxa de desemprego na Escócia hoje é superior à média da Grã-Bretanha.

Levantamentos feitos pela campanha do "Sim" indicaram que a geração que nasceu dentro da União Europeia estaria menos traumatizada com a ideia de uma divisão do país. Ironicamente, a consolidação da União Europeia em um bloco, no lugar de estabilizar as fronteiras do Estado-nação europeu, transforma a ideia de uma separação numa possibilidade mais aceitável.

A mudança também reflete uma transformação nos partidos independentistas. No caso da Escócia, o PNE abandonou a imagem de antiquado, rural e anti-imigração para uma postura mais moderada. Mas analistas alertam que esses partidos só existem graças ao apoio de grupos com tendências xenófobas. / J.C.

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