Com 70% das urnas apuradas, aliado de Chávez e direitista vão ao segundo turno

Com 70% dos votos apurados, o candidato populista de direita Álvaro Noboa e o nacionalista de esquerda Rafael Correa dividem o eleitorado na eleição presidencial no Equador e devem disputar um segundo turno em 26 de novembro, conforme indicaram as pesquisas de boca-de-urna. Noboa detém 26,7% dos votos, enquanto Correa soma 22,5%, informou o Supremo Tribunal Eleitoral. Para vencer no primeiro turno, um dos 13 candidatos teria de ter obtido mais de 50% dos votos, ou pelo menos 40% dos votos válidos e uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado. O segundo turno está, portanto, previsto para 26 de novembro. Correa, da Aliança País, liderava as pesquisas pré-eleitorais, mas nos últimos dias vinha perdendo terreno para Noboa, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional, que disputa a presidência pela terceira vez.Rafael Correa, aliado do presidente da Venezuela Hugo Chávez, ignorou as pesquisas de boca-de-urna, dizendo que qualquer coisa que não seja seu triunfo já no primeiro turno "significa fraude e graves irregularidades".Nesta segunda-feira Correa pediu que a Organização dos Estados Americanos retirasse do país o chefe de sua equipe de observação, o ex-chanceler argentino Rafael Bielsa, acusando-o de não reconhecer "irregularidades no processo" eleitoral. Álvaro Noboa comemorou as bocas-de-urna dizendo que "o povo acaba de dar o melhor corretivo possível a um amigo de terroristas, do (presidente da Venezuela) Hugo Chávez e de Cuba" disse Noboa, que previamente havia anunciado que cortaria relações políticas com os dois países.Dono de uma das maiores exportadoras de banana do mundo, Noboa, de 56 anos, é o homem mais rico do Equador e centrou sua campanha na promessa de construir casas, criar empregos para permitir a ascensão da população pobre à classe média e defendeu a assinatura de tratados de livre comércio com os EUA. Chamado de comunista por Noboa, Correa, de 43 anos, prega a proibição de pactos comerciais com os EUA, uma mudança constitucional para fortalecer os poderes presidenciais e a realização de uma "revolução dos cidadãos".Aliado de Chávez, o ex-ministro das Finanças também já mostrou simpatizar com a nacionalização do setor de gás e petróleo feita pelo boliviano Evo Morales em maio, declarando que pretende revisar e renegociar os contratos petrolíferos do Equador. O país exporta 68% de sua produção de 540 mil barris diários.O candidato que vencer o segundo turno tomará posse em 15 de janeiro. Os três últimos chefes de Estado foram destituídos por protestos em massa, causados por promessas não cumpridas e denúncias de corrupção. Os equatorianos também votaram no domingo para renovar as 100 cadeiras do Congresso e eleger 664 vereadores. Esta matéria foi atualizada às 10h40 para acréscimo de informações.

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