Com Abbas, Obama critica Israel

Em encontro com líder palestino, presidente dos EUA volta a atacar assentamentos e a pedir Estado palestino

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, insistiu que Israel temde interromper a expansão dos assentamentos na Cisjordâniae reforçou seu compromisso para a criação de um Estado palestinodurante encontro com o presidente da Autoridade Palestina,Mahmoud Abbas,na Casa Branca."Acredito fortemente na solução de dois Estados", afirmouObama. Segundo o presidente, conforme estipulam os acordosfirmados em 2003, conhecidos como Mapa da Estrada, "Israelprecisa parar a construção de assentamentos para garantirque haja um Estado palestino viável".O líder americano também pressionou os palestinos amelhorar suas forças de segurança e reduzir incitações anti-Israel em escolas e mesquitas. Na semana passada, também em Washington, Obama já havia pedido ao premiê israelense,Binyamin Bibi Netanyahu, que suspendesse a construçãode novas colônias. Anteontem, a secretária de Estado HillaryClinton intensificou a pressão e disse não haver exceções nemmesmo nos casos que os israelenses denominam"crescimentonatural" - construção de novas casas nos assentamentospor causa do aumento populacional.Em resposta, o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev,disse que os israelenses estão dispostos a colaborar não construindo novos assentamentos e desmantelando os postos avançados (colônias construídas à revelia do governo israelense).Mas acrescentou que a "vida normal deve continuar nessascomunidades", indicando que os assentamentos já existentespoderão ter um crescimento natural.Os assentamentos são considerados um dos temas mais delicadosdas negociações entre israelenses e palestinos. Atualmente,calcula-se em cerca de 300 mil colonos vivendo na Cisjordânia que,coma Faixa de Gaza, é um dos territórios reivindicadospela Autoridade Palestina para um futuro Estado.Segundo o jornal israelense Haaretz, embora as divergênciasentre Netanyahu e Obama tenham sido expostas, não está claro até que ponto o presidente americano está disposto a pressionar Israel na questão dos assentamentos.Abbas, por sua vez, segundo assessores que o acompanhama Washington, defendeu a proposta de paz da Liga Árabe noencontro com Obama. A organização propôs o estabelecimento de relações de todos os países árabes com Israel em troca da retirada israelense dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que inclui as Colinas do Golan, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.O plano é nebuloso sobre o destino de centenas de milhares de refugiados palestinos que querem o direito de retornar para o que hoje é Israel.Obama reuniu-se com o rei Abdullah, da Jordânia, em abril,e com Netanyahu e Abbas neste mês.Na semana que vem, viaja ao Oriente Médio, onde planeja, na quarta-feira, se encontrarcom o rei Abdullah da Arábia Saudita. No dia seguinte, Obama fará um discurso para o mundo islâmico no Cairo e conversará com presidente do Egito, Hosni Mubarak.LÍDER DO HAMASIsrael matou ontem Abed al-Majid Dudin,um dos principaislíderes do Hamas na Cisjordânia. Forças israelenses o localizaramem uma vila próxima a Hebron. Dudin abriu fogo e, na troca de tiros, foi morto. Ele é suspeito de ser o mentor das explosõesde dois ônibus em Israel que deixaram dez mortos.Posição de Washington- Segurança . Palestinos precisam cumprir suas obrigações noprocesso de paz, incluindo a segurança na Cisjordânia- Violência . Devem conter a violência, o sentimento anti-Israel eas incitações- Assentamentos . Israel tem a obrigação de conter os assentamentos- 2 Estados . confia que Israel reconhecera que a solução de doisEstados e de interesse para sua segurança

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.