REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Com acordo, rebeldes se preocupam em sobreviver no futuro

 O governo colombiano e rebeldes esquerdistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vêm conversando sobre um acordo de paz há mais de três anos, mas o processo parece ter empacado num ponto crítico: a parte em que é preciso parar com a conversa e realmente fazer a paz.

Nick Miroff, CORRESPONDENTE / THE WASHINGTON POST, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2016 | 05h00

O deadline do dia 23, marcado em setembro, chegou e passou, e os líderes das Farc continuam recusando terminantemente a proposta do presidente Juan Manuel Santos de se estabelecer uma data definitiva para a guerrilha depor armas. 

Os rebeldes têm boas razões para se esquivar. Uma vez que se tornem civis desarmados, terão de confiar nas forças de segurança colombianas – seu inimigo mortal nos últimos 50 anos – para protegê-los de traficantes de drogas, mercenários e enxame de outros inimigos que os querem mortos. E o histórico do governo não inspira confiança.

O número de assassinatos por motivos políticos cresceu 35% no ano passado, quando 105 líderes esquerdistas, ativistas comunitários e sindicalistas foram mortos, segundo novo relatório do Centro de Dados de Análise de Conflitos, um grupo de observadores em Bogotá. Essas mortes são consideradas muito danosas para o processo de paz, dando força ao argumento das Farc de que o único meio seguro de ser marxista na Colômbia é com um Kalashnikov na mão.

A incapacidade do governo em proteger o grupo rebelde é amplamente vista como um empecilho para a democracia colombiana, e a ameaça de outra campanha de extermínio está muito presente na mente dos líderes das Farc que negociam o desarmamento e possível retorno à política eleitoral.

Os dois lados também estão longe de se entender quanto ao número de zonas de segurança, também chamadas de zonas de concentração, em que os combatentes das Farc ficarão acampados esperando que a população colombiana aprove ou rejeite o acordo de paz, por meio de um referendo, cujo formato ainda não definido também é fonte de discórdia.

A violência chegou ao ponto mais baixo em décadas, como resultado de um cessar-fogo não oficial entre guerrilha e governo. Mas, com a produção de coca voltando, as autoridades colombianas lutam para conter o crescimento de poderosas gangues de tráfico. Elas são vistas como a maior ameaça à segurança nacional se for alcançado um acordo de paz./ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ


Mais conteúdo sobre:
ColômbiaELNFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.