Doug Mills/The New York Times
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Com acusações exageradas, Trump questionou origem do coronavírus na China; leia análise

O ex-conselheiro comercial de Trump, Peter Navarro, por exemplo, acusou a China de criar o vírus como arma biológica

Annie Linskey, Yasmeen Abutaleb e John Wagner /THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 05h00

WASHINGTON - O governo de Donald Trump também buscou respostas sobre as origens da pandemia, mas alguns funcionários exageraram, sugerindo que a China liberou ou criou o vírus intencionalmente. O ex-conselheiro comercial de Trump, Peter Navarro, por exemplo, acusou a China de criar o vírus como arma biológica.

O Wall Street Journal informou, no início da semana, que três pesquisadores do laboratório do Instituto de Virologia de Wuhan ficaram doentes, em novembro de 2019, e procuraram atendimento hospitalar, renovando o interesse na origem da pandemia. O jornal citou como fonte um relatório de inteligência dos EUA, que afirmava que a informação veio de um “aliado internacional”, que a descreveu como significativa, mas que precisava de mais corroboração.

A informação bate com um relatório do Departamento de Estado que, nos últimos dias do governo Trump, disse que os EUA tinham motivos para acreditar que vários pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan adoeceram no outono de 2019. A declaração não disse quando os trabalhadores adoeceram ou quantos adoeceram, mas observou que os sintomas surgiram “antes do primeiro caso identificado do surto” e eram “consistentes com covid-19”.

O debate sobre se o vírus se originou em um acidente de laboratório foi tomado por teorias da conspiração que buscaram estabelecer uma ligação entre o infectologista Anthony Fauci, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) e o Instituto de Virologia de Wuhan. Essa teoria se concentra em uma doação de US$ 3,7 milhões (R$ 19,69 milhões) do NIH a uma ONG de pesquisa com sede em Nova York chamada EcoHealth Alliance. O Instituto de Virologia de Wuhan recebeu uma subvenção sob esse contrato, levando os teóricos da conspiração a alegar que Fauci, funcionário do NIH, estava de alguma forma ligado ao surgimento do coronavírus.

Esta semana, o deputado republicano Andy Harris ergueu uma cópia do Wall Street Journal durante uma audiência, referindo-se à sua história recente sobre os trabalhadores do laboratório de Wuhan que ficaram doentes. Harris perguntou ao diretor do NIH, Francis Collins, se era verdade que US$ 600 mil dos US$ 3,7 milhões doados à EcoHealth Alliance haviam sido direcionados às instalações de Wuhan. Collins disse que era verdade.

Harris também perguntou se a agência sabia que uma pesquisa que aumenta artificialmente a contagiosidade de um patógeno, conhecida como “ganho de função”, havia sido conduzida em Wuhan. “Eles não foram aprovados pelo NIH para fazer pesquisas de ganho de função”, respondeu Collins.

Fauci descreveu a pesquisa financiada pelo NIH como uma “colaboração modesta com cientistas chineses muito respeitáveis” após o susto da Sars, de 2002 e 2003. “Esse vírus inquestionavelmente passou de um morcego para um hospedeiro intermediário e iniciou uma epidemia entre os humanos”, disse o infectologista, na audiência. “Você tem de ir onde está a ação para estudar um vírus como esse”, afirmou Fauci, que justificou a verba mencionada como parte do financiamento de um programa de vigilância de coronavírus em morcegos.

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