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EFE
EFE

México busca líder de cartel em operação com participação de Exército e Marinha

Autoridades investigam as circunstâncias da fuga de Joaquin "El Chapo" Guzmán, líder do cartel de Sinaloa, e não descartam participação de funcionários da prisão

O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2015 | 11h32

CIDADE DO MÉXICO - As autoridades mexicanas realizam nesta segunda-feira, 13, um intensa busca por terra e ar para tentar localizar Joaquin "El Chapo" Guzmán, líder do cartel de drogas de Sinaloa que escapou no sábado da prisão de segurança máxima Altiplano I, na região central do México. 

A polícia também investiga se Guzmán teve ajuda de algum funcionário da prisão na sua fuga. No entanto, mais de 30 hora depois de desaparecer da prisão, ainda não há nenhuma pista sobre o narcotraficante. 

Desde domingo, a procuradoria mexicana recolhe declarações de 30 funcionários da prisão de Altiplano, incluindo seu diretor, Valentin Cardenas, para estabelecer se eles desempenharam alguma função na fuga de Guzmán. No momento, a principal pergunta que nenhum funcionário consegue explicar é como ninguém percebeu as obras que foram necessárias para cavar o túnel de 1,5 km pelo qual o traficante escapou.

Sem que as câmeras de segurança da prisão tenham registrado, Guzmán entrou em um buraco sob o chuveiro de sua cela que levou ao túnel, construído como sistema de iluminação, ventilação e até mesmo uma motocicleta adaptada a trilhos. "Este tipo de fuga não pode acontecer senão por corrupção ou de ameaça a funcionários (da prisão). Não se trata só de oferecer dinheiro, mas de ameaçar suas famílias", diz Javier Oliva, especialista em segurança pública da Universidade Nacional Autônoma de Mexico (UNAM).

Da França, onde se encontra com o presidente François Hollande, o líder mexicano Enrique Peña Nieto ordenou uma perseguição em massa a Guzmán, com a participação do Exército e da Marinha, e disse ter confiança de que o fugitivo será capturado.

Apesar do impacto negativo da fuga de Guzmán para o governo mexicano, Peña Nieto decidiu continuar na França, mas enviou de volta para o México seu secretário (ministro) de Interior, Miguel Ángel Osorio Chong, que lidera as investigações.

Os Estados Unidos se ofereceram para ajudar a recapturar "rapidamente" Guzmán, considerado até sua volta à cadeia, em 2014, como o traficante mais poderoso do mundo em razão das proporções e das capacidades do cartel de Sinaloa.

Esta segunda fuga de "El Chapo" de uma prisão de segurança máxima mexicana pode aumentar as lendas que o cercam. A primeira vez que fugiu, em 2001, ele estava escondido em uma van de lavanderia. Depois de fortalecer seus negócios e prevalecer em batalhas sangrentas contra os seus inimigos durante os 13 anos em que viveu na clandestinidade, "El Chapo" foi preso em fevereiro de 2014 e o governo de Peña Nieto apresentou a captura como seu maior triunfo na luta contra a tráfico de drogas.

Extradição. Preocupados com a possibilidade de que a fuga de 14 anos atrás pudesse se repetir, os Estados Unidos pediram que o México extraditasse Guzmán, que é perseguido naquele país por vários crimes e é considerado o inimigo público número 1 na cidade de Chicago.

O governo mexicano, porém, rejeitou o pedido dos americanos, alegando que "El Chapo" tinha que pagar por seus crimes primeiro em seu país, além de não haver riscos de uma nova fuga. Na ocasião, Peña Nieto disse que seria "realmente imperdoável" se Guzmán fugisse novamente. 

"Esta segunda fuga deixa o governo em uma situação muito ruim porque havia uma espécie de nacionalismo judicial, no qual se defendeu que  Guzmán não iria ser extraditado para os Estados Unidos porque o México tinha os recursos para mantê-lo na prisão", afirma o especialista em segurança de Raul Benitez Manaut.

Com sua popularidade em baixa desde o desaparecimento dos 43 alunos de Ayotzinapa, em setembro, a fuga de Guzmán é um duro golpe para o governo de Peña Nieto, que tinha feito da eficiência e da coordenação interna para confrontar o crime organizado uma de suas bandeiras. / AFP

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