Com ajuda escassa, sobreviventes saqueiam lojas em Mianmar

ONU alerta que população afetada pelo ciclone Nargis está invadindo o comércio; 1 milhão está sem abrigo

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 17h04

Sobreviventes famintos do ciclone do último fim de semana em Mianmar saqueavam lojas das cidades devastadas no delta do Rio Irrawaddy, informou a Organização das Nações Unidas (ONU). Cinco dias depois da catástrofe natural que matou mais de 22 mil pessoas neste fechado país asiático, a ajuda humanitária enviada à área afetada ainda é escassa. Veja também:Diplomata diz que ciclone em Mianmar pode ter matado 100 milÍndia diz que alertou Mianmar sobre o NargisMianmar cede e aceita ajuda da ONU às vítimas do cicloneJunta ignorou alerta emitido pela ONU  Desafio é levar ajuda às áreas devastadas  Cadáveres flutuam em poças d'água e testemunhas relatam casos de sobreviventes buscando desesperadamente um lugar seco a bordo de botes com lençóis usados como velas. A ONU calcula que o ciclone Nargis tenha deixado sem abrigo cerca de 1 milhão de pessoas. "Basicamente, toda a área baixa do delta está debaixo d'água", disse Richard Horsey, porta-voz da Agência de Coordenação Humanitária da ONU, conhecida pelas iniciais Ocha, em Bangcoc, na vizinha Tailândia. "As equipes falam em corpos flutuando na água. Estamos lidando com um imenso desastre", prosseguiu. Horsey acredita que o número de mortes ainda aumentará dramaticamente. De acordo com a mídia estatal birmanesa, 22.464 mortes foram confirmadas até o momento. Mas dezenas de milhares de pessoas estão desaparecidas, alimentando temores de que o custo humano da catástrofe tenha sido ainda maior. Shari Villarosa, que dirige a Embaixada dos Estados Unidos em Mianmar, especulou hoje que o número de mortos poderia chegar a 100 mil e afirmou que o ciclone derrubou 95% de todos os imóveis que existiam na área afetada. Ela advertiu que falta água e comida no delta do Rio Irrawaddy e qualificou a situação na região como cada vez mais tenebrosa. A continuidade da crise também eleva o risco de disseminação de doenças, prosseguiu. Ainda nesta quarta-feira, a Junta Militar que governa a antiga Birmânia autorizou o envio de um avião com mais de 25 toneladas de ajuda humanitária às vítimas, segundo comunicou um representante das Nações Unidas (ONU), apesar lentidão das autoridades birmanesas em conceder vistos aos agentes humanitários. Os únicos representantes das agências da ONU que estão no local neste momento são pequenas equipes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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