Com AK-47 e granadas, atirador mata 5 e fere 123 em cidade da Bélgica

Um atirador matou ontem 5 pessoas e feriu 123 em Liège, na Bélgica. O autor do ataque foi identificado como o belga Nordine Amrani, de 33 anos, morador da cidade. Autoridades disseram apenas que "ele morreu" em seguida, sem dar detalhes. A imprensa local diz que ele foi abatido por policiais. O governo afirma que ele se suicidou com um tiro na cabeça. Segundo a polícia, Amrani era um criminoso comum, sem ligação com grupos terroristas ou de extrema direita.

LIÈGE, BÉLGICA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h04

O massacre começou às 12h30 (9h30 em Brasília), quando Amrani, com uma mochila e vestido em uniforme militar, subiu no teto da Point Chaud, uma conhecida cadeia de padarias. Do alto, ele lançou três granadas de mão contra pontos de ônibus da Praça Saint-Lambert, no centro de Liège, cidade de 200 mil habitantes.

Em seguida, Amrani abriu fogo indiscriminadamente contra a multidão com uma pistola e um fuzil Kalashnikov. No local havia um mercado de Natal a céu aberto. A Prefeitura de Liège, no entanto, havia adiado a abertura do evento em razão do mau tempo, o que evitou um massacre maior.

Apesar do adiamento, a praça estava cheia de crianças e foi tomada pelo pânico, com pessoas desesperadas correndo e buscando refúgio. A polícia foi acionada e agiu rapidamente. Em menos de dez minutos já havia helicópteros sobrevoando o local, que foi cercado por viaturas.

Corpos no chão. O jornalista Nicolas Gilenne que havia acabado de sair do tribunal de Justiça, onde cobria um julgamento, contou como o ataque começou. "Vi um homem acenar com o braço e lançar algo em um ponto de ônibus. Ouvi uma explosão. Ele se virou, pegou mais alguma coisa, puxou o pino. Comecei a correr. Ele estava sozinho e parecia estar controlado", disse. "Ele queria machucar o máximo de pessoas possível. Ouvi quatro explosões e tiros por cerca de dez segundos."

Testemunhas disseram que até as 14h30 ainda se ouvia tiros na Praça Saint-Lambert. Às 15 horas, a polícia anunciou que havia controlado a situação. Mortos no chão estavam dois adolescentes, um de 15 anos e outro de 17, além de uma mulher de 75 anos e o atirador. Duas vítimas morreram após serem internadas em hospitais da região - um bebê de 23 meses e um jovem de 20 anos.

Junto ao corpo de Amrani foram encontradas algumas granadas de mão que não haviam sido detonadas e, nos bolsos, munição suficiente para um massacre ainda mais sangrento. O governo belga apressou-se em anunciar que o ato não tinha relação com grupos terroristas ou de extrema direita, mas foi obrigado a admitir que o atirador era um velho conhecido da Justiça.

Em outubro de 2007, a polícia encontrou na residência dele, no bairro de Saint-Léonard, norte da cidade, 2,8 mil pés de maconha, 9,5 mil peças de armas, uma Kalashnikov e um lançador de granadas. No ano seguinte, ele recebeu uma multa de 11 mil e foi condenado a 58 meses de cadeia - quase 5 anos - por tráfico de drogas e de armas.

Amrani deixou a prisão em outubro de 2010 em liberdade condicional. Ontem, ele deveria comparecer ao Palácio de Justiça, localizado exatamente na Praça Saint-Lambert, para uma audiência a respeito de um caso de abuso sexual. No entanto, em vez de entrar no prédio, ele estacionou sua caminhonete, caminhou até a praça e começou a atirar.

Após ser localizado, o carro de Amrani foi explodido por um esquadrão antibombas. Em seguida, a polícia realizou uma nova revista na residência do atirador e descobriu novamente vários tipos de armamento pesado. Os investigadores, contudo, não divulgaram o motivo que o teria levado a cometer a matança.

Família real. O massacre em Liège chocou o país. O primeiro-ministro Elio di Rupo, a ministra do Interior, Joelle Milque, o rei Albert II e a rainha Paola viajaram imediatamente para a cidade. "Não há palavras para descrever essa tragédia", disse Di Rupo. Herman van Rompuy, ex-premiê e atual presidente do Conselho Europeu, afirmou que estava "abalado" pelo massacre. "Não nenhuma explicação razoável", disse. "Estou perplexo e chocado." / REUTERS, NYT e AP

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