Federico Parra/AFP
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Com alta de 77,7%, salário mínimo na Venezuela chega a R$ 26

Este é o segundo reajuste de 2020, depois de três aumentos decretados por Maduro em 2019 e seis em 2018, sem recuperar o poder de compra dos venezuelanos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 19h26

O salário mínimo na Venezuela será reajustado em 77,7% e passará a valer 4,6 dólares por mês a partir de 1º de maio, Dia do Trabalho, anunciou o governo de Nicolás Maduro nesta segunda-feira, 27.

O salário mínimo, que reúne o salário básico e um vale-alimentação obrigatório, passou de 450.000 para 800.000 bolívares por mês (4,6 dólares na taxa de câmbio oficial), informou o ministro do Trabalho, Eduardo Piñate, em comunicado divulgado no Twitter.

"A partir de 1º de maio, entra em vigor", disse o funcionário. O aumento combina um aumento no salário de 250 mil para 400 mil bolívares (2,3 dólares) e outro no bônus que o complementa - sem impacto nos benefícios sociais e outros benefícios trabalhistas - de 200 mil também para 400 mil bolívares. 

É o segundo reajuste de 2020, depois de três aumentos decretados por Maduro em 2019 e seis em 2018, sem recuperar o poder de compra dos venezuelanos, que sofrem a pior crise da história moderna de seu país, com uma economia mergulhada numa recessão que dura seis anos. 

Paradoxalmente, após o último aumento em janeiro passado, a renda era equivalente a 6,7 dólares. Em outubro de 2019, a US$ 15. 

A situação levou à dolarização informal, com a população tentando se proteger com o câmbio contra a inflação e depreciação do bolívar. O salário mínimo, devido à sua enorme defasagem, vem perdendo peso como uma referência real no setor privado. 

O novo valor do mínimo é suficiente para comprar pouco mais de um quilo de carne bovina. 

Maduro atribui o agravamento da crise a uma bateria de sanções dos Estados Unidos. Seus adversários culpam medidas econômicas equivocadas e corrupção pelo desastre. 

O governo anunciou na semana passada o controle de preços do principal produtor de alimentos da Venezuela, as Empresas Polar, além de outras empresas, medida rejeitada por essa empresa e organizações empresariais.

Novo ministro

Maduro nomeou nesta segunda-feira como ministro do Petróleo Tareck El Aissami, funcionário sancionado pelos Estados Unidos, e como presidente da PDVSA Asdrúbal Chávez, parente do ex-presidente Hugo Chávez.

O vice-presidente da área econômica El Aissami "está habilitado" para a "reestruturação e reorganização" do ministério, indica o documento, no momento em que os preços do petróleo caem devido à queda na demanda em meio à pandemia de coronavírus e a produção venezuelana continua em declínio. 

O novo ministro do petróleo está entre dezenas de colaboradores de Maduro que foram sancionados pela Casa Branca, que pressiona para tentar retirar o governante do poder. 

El Aissami está entre os funcionários que foram formalmente acusados de "narcoterrorismo" pela Justiça americana em 26 de março, incluindo Maduro, com recompensas milionárias oferecidas por informações que levem à sua captura. 

Os Estados Unidos ofereceram 15 milhões para Maduro e 10 para El Aissami. 

Por sua parte, Asdrúbal Chávez foi nomeado presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O novo chefe da empresa - primo do ex-presidente Chávez (1999-2013) - liderou o Citgo, subsidiária da empresa nos Estados Unidos, cargo que ocupou de 2017 até Washington revogou seu visto em 2018. 

Até agora, o general Manuel Quevedo compartilhava as posições de ministro do petróleo e presidente da empresa estatal venezuelana. Foi nomeado em novembro de 2017 por Maduro. 

Na sexta-feira passada, o preço do barril de petróleo venezuelano caiu de 10 dólares, para 9,9 dólares uma queda para o menor nível em duas décadas, para os níveis de 1998, quando a média foi de 9,38 dólares.

Essa queda ocorre no momento em que a produção da PDVSA chega a pouco mais de 700 mil barris por dia, de acordo com o relatório do governo de Maduro à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Estava acima de três milhões de barris por dia em 2008. /AFP

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