Daniel Leal-Olivas/AFP
Daniel Leal-Olivas/AFP

Com alta de contágios pela variante Delta, Londres oferece vacinas até em estádios de futebol

Local foi temporariamente transformado em um centro de vacinação, em meio a esforços dos britânicos para combater a variante do coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2021 | 14h30
Atualizado 26 de junho de 2021 | 15h11

LONDRES – Um longa fila serpenteia em frente ao estádio do Arsenal, mas ninguém aqui veio ver o famoso time de futebol londrino jogar. O local foi temporariamente transformado em um centro de vacinação, em meio a esforços dos britânicos para combater a variante Delta do coronavírus. 

“Fazia tempo que queria tomar a vacina, é importante para os jovens porque nos movemos muito”, disse à agência France Presse Oceane Danezan, uma estudante francesa de 20 anos que descreve o momento como emocionante. 

Para atrair o maior número possível de jovens, neste local não é necessário marcar horário, nem se questiona a situação migratória de quem vem se vacinar.  A cereja do bolo é uma visita gratuita ao estádio, onde também são exibidos jogos de futebol da Eurocopa

O objetivo das autoridades do distrito londrino de Islington e do serviço de saúde pública britânico é administrar em quatro dias cerca de 10 mil primeiras doses da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech.

Depois de ver o número de infecções, hospitalizações e mortes cair drasticamente graças a um terceiro lockdown longo e rigoroso durante o inverno e uma campanha massiva de vacinação, o Reino Unido enfrenta há semanas uma ressurgência do vírus, atribuída à variante Delta, originalmente identificada na Índia e muito mais contagiosa. 

Responsável por 95% dos novos casos, a cepa já se estabeleceu como a dominante no país, um dos mais atingidos na Europa pela pandemia, com mais de 128 mil mortes. Na sexta-feira, 25, foram registrados quase 16 mil casos positivos.

Frente a esta situação, e como as vacinas se mostraram muito eficazes para prevenir casos graves da covid-19, o governo de Boris Johnson planeja vacinar todos os adultos com pelo menos a primeira dose e imunizar totalmente dois terços deles antes do dia 19 de julho, com o objetivo de suspender as últimas restrições ainda em vigor. 

Josephine Marino, de 53 anos, diz que é um dever moral se vacinar, mas admite que esperou até agora para receber a vacina da Pfizer em vez da opção da AstraZeneca, que está amplamente disponível para sua faixa etária no Reino Unido, mas foi objeto de várias polêmicas, especialmente pela relação com um número reduzido e incomum de casos de trombose. 

Josephine trabalha com pessoas vulneráveis e tem planos de em breve viajar à Itália para visitar sua família. “É bom montar esses centros de vacinação temporários para alcançar um público mais amplo”, afirma, considerando que algumas pessoas têm medo.

O Emirates Stadium, casa do Arsenal, não é a primeira grande instalação esportiva britânica a participar deste esforço de vacinação coletivo, que já administrou a primeira dose a 83% dos adultos e a imunização completa a mais de 60%.  

O estádio de rugby Twickenham e o estádio Hotspur do Tottenham – rival local do Arsenal – também serviram como centros de vacinação em massa, assim como museus, catedrais e mesquitas. 

Mas o novo aumento de casos, que afeta principalmente pessoas mais jovens e não vacinadas, também significa alcançar aqueles que não tiveram acesso às vacinas ou que estão relutantes em se vacinar, que no Reino Unido estão especialmente entre as minorias étnicas. 

“Trabalho com pessoas do setor de comércio, onde há muita desconfiança, mas tento ser racional. Há muitos benefícios e riscos mínimos ao se imunizar", afirma Sofia Mohamed, uma estudante de 26 anos. 

Para vir se vacinar, outro estudante, Conor Reynolds, também de 26 anos, teve de superar a oposição de parentes e amigos, assim como seus próprios medos.  “Eu estava paranoico, foi difícil”, admite. “Mas mudei de opinião: só quero poder voltar a ver minha irmã”, explica. /AFP

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