Com apoio americano, tropas curdas retomam parte de represa no Iraque

Perda do controle de reservatório é primeiro revés significativo para extremistas do Estado Islâmico desde início da ofensiva

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2014 | 02h02

ZAKHO,  IRAQUE - Depois de dois dias de bombardeios americanos contra posições dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) ao redor da represa de Mossul, no norte do Iraque, combatentes curdos, conhecidos como peshmergas, avançaram ontem e retomaram boa parte da estratégica fonte de água e das barragens que regulam a vazão do Rio Tigre.

A informação foi confirmada ao Estado por Hisham al-Brefkani, presidente da Comissão de Energia e membro da Comissão de Segurança do Conselho Provincial (equivalente à Assembleia Legislativa) da Província iraquiana de Nínive, da qual Mossul é a capital.

"Os peshmergas começaram a avançar hoje em direção à represa, com apoio aéreo americano", disse Brefkani, pelo telefone. "O Estado Islâmico se retirou. A batalha não foi acirrada. Os comandantes do EI fugiram. Agora a represa está sob controle dos peshmergas, mas ainda há bolsões no sul dela que precisam ser enfrentados." Militares americanos anunciaram ter destruído ou danificado 19 veículos e um posto de controle dos jihadistas.

Os combatentes curdos anda estavam ontem tentando retirar minas e armadilhas com explosivos deixados pelos jihadistas ao redor do reservatório de água, segundo informou a rede britânica BBC. A represa havia sido tomada no dia 7 pelo Estado Islâmico, que controla também Mossul, a segunda maior cidade do Iraque.

Virada. A retomada da represa, se consolidada, é o primeiro revés sofrido pelos jihadistas desde o início de sua ofensiva, em junho, e o início dos bombardeios americanos, há uma semana. Havia temores de que o grupo pudesse dinamitar as comportas e inundar o leito do Tigre, que banha a capital, Bagdá.

O Pentágono afirmou que só deu início ao bombardeio, no sábado, depois de ter recebido informação de inteligência de que não havia risco de os jihadistas, sob ataque, sabotar as barragens inundando as margens do rio e provocando um desastre de grandes proporções.

O político curdo Hoshyar Zebari, ministro das Relações Exteriores do Iraque até o mês passado, disse que o objetivo da operação é "limpar" a planície de Nínive para permitir o retorno de minorias, como yazidis e cristãos.

Apoio. A Casa Branca anunciou ontem que o presidente americano, Barack Obama, comunicou oficialmente ao Congresso que os bombardeios no Iraque seriam ampliados para garantir o controle total da represa de Mossul na batalha contra os extremistas do EI.

As operações na região da represa incluem ataques com bombardeios B-1, caças F-18 e drones. O governo iraquiano também enviou 16 veículos blindados de transporte para as tropas curdas. O reforço foi fundamental para que bombas plantadas pelos extremistas nas estradas ao redor da represa não comprometessem a operação.

Em comunicado, a presidência americana afirmou que a ação expandida seria por tempo limitado, mas "coerente com a ordem do presidente para que os militares americanos protegessem funcionários dos EUA e a infraestrutura iraquiana, já que uma pane na represa de Mossul poderia ameaçar as vidas de um grande número de civis". / COM AP

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