Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Com apoio da extrema direita, milhares protestam na França contra restrições anticovid

Oposição às medidas do governo congrega manifestantes contrários ao uso da máscara, à vacina, ao confinamento e ao recém-criado passe de saúde 

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2021 | 16h00

PARIS - Aos gritos de "Liberdade, liberdade!", cerca de 160 mil pessoas manifestaram-se neste sábado, 24, na França contra as medidas decididas pelo governo para lutar contra o avanço da epidemia de covid-19, que ganha terreno com a variante Delta. Entre as medidas, está a vacinação obrigatória para profissionais de saúde e a exigência do passe de saúde para algumas atividades, um projeto a ser votado esta semana.  

Em Paris, uma mobilização de 11 mil pessoas constituída essencialmente por Coletes Amarelos, um movimento de protesto hostil à política do governo, partiu da Place de la Bastille, no sudeste da capital.  No oeste da cidade, uma mobilização convocada por políticos de extrema direita como o ex-eurodeputado Florian Philippot reuniu ativistas que carregavam faixas com os dizeres "Pare a ditadura". A multidão de poucas máscaras reuniu-se ao som do hino nacional, a Marselhesa, na Place du Trocadéro.

"Liberdade, liberdade" gritavam os manifestantes, vindos de Paris e das províncias, se aglomerando em torno de um púlpito com dezenas de bandeiras francesas. "Liberdade, eu não sou sua cobaia", resumia o slogan escrito em um cartaz.

Segundo a France Presse, foram registrados alguns incidentes esporádicos entre agentes das forças de ordem e manifestantes. De acordo com um comunicado do Ministério do Interior, 168 detenções foram realizadas nos protestos pelo país, registrados também em cidades como Marseille, Montpellier, Nantes and Toulouse.

Esse movimento ocorre no momento em que os franceses afirmam ser esmagadoramente a favor da decisão - tomada em 12 de julho pelo presidente Emmanuel Macron - de tornar a vacinação obrigatória para os profissionais da saúde e de outras profissões, sob pena de sanções.

A obrigatoriedade do passe sanitário (vacinação completa ou teste negativo recente) para ter acesso a locais públicos também é apoiada pela maioria dos franceses, de acordo com uma pesquisa publicada no dia seguinte a esses anúncios. Já aplicado em espaços culturais e de lazer, o passe sanitário deve ser estendido no início de agosto aos cafés, restaurantes e trens. 

O anúncio das novas medidas por Macron teve o efeito de acelerar a vacinação na França: 39 milhões de pessoas, ou 58% da população total, receberam pelo menos uma dose até sexta-feira e 48% estão totalmente vacinados. 

Mas depois de uma queda na primavera (Hemisfério Norte), o número de contaminações explodiu na França sob o efeito da variante Delta, altamente contagiosa, passando de 4,5 mil no dia 9 de julho para quase 21,5 mil na sexta-feira. 

A epidemia já matou mais de 110 mil pessoas na França até o momento, de acordo com o site oficial santepubliquefrance.fr. 

A oposição às medidas do governo congrega manifestantes anti-máscara, anti-vacina ou anti-confinamento com reivindicações multifacetadas. No último sábado, mais de 110 mil pessoas se manifestaram em todo o país contra a vacinação, a "ditadura" ou o passe de saúde. /AFP, EFE, AP e REUTERS

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