Com apoio popular, Obama apresenta plano para combater radicais islâmicos

Com apoio popular, Obama apresenta plano para combater radicais islâmicos

Apelo. Em discurso à nação, presidente busca respaldo para agir mesmo sem aprovação do Congresso; estratégia prevê novos ataques aéreos no Iraque e os primeiros bombardeios a redutos dos terroristas na Síria; respaldo de americanos a ataques cresceu

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h01

O presidente Barack Obama fará hoje, em horário nobre americano, um discurso à nação para apresentar sua estratégia de combate aos radicais do Estado Islâmico (EI), tema de alta prioridade para a segurança nacional, segundo a Casa Branca.

Obama parece já ter o apoio dos americanos. Uma pesquisa divulgada ontem pelo jornal Washington Post e a emissora ABC News mostrou que as decapitações de dois jornalistas americanos pelo EI provocaram uma inversão na opinião pública, que agora apoia majoritariamente o ataque aos extremistas. Quase três quartos (71%) dos entrevistados está a favor dos bombardeios ao EI no Iraque iniciados há um mês. Há três semanas, 54% apoiavam a ação.

Ontem, Obama se reuniu com líderes republicanos e democratas da Câmara e do Senado e reiterou que tem autoridade para agir contra os radicais sem aval do Congresso. A nova estratégia prevê, entre outros, novos bombardeios no Iraque e os primeiros na Síria.

Ao mesmo tempo em que tenta convencer o Congresso, a Casa Branca trabalha em um plano que evite obstáculos legais e se sustente por pelo menos três anos, prazo estimado pelo Pentágono para concluir a campanha contra o grupo extremista.

Não há um consenso no Congresso sobre se Obama precisa de uma nova autorização para atacar os militantes. Alguns congressistas dizem que o presidente tem a autoridade constitucional para agir sem votação. Outros estão relutantes em votar tal medida nove semanas antes das eleições legislativas de 4 de novembro.

Funcionários do governo adiantaram que Obama falará sobre o esforço internacional, que vai além da missão já conduzida no Iraque, na qual foram feitos ataques para proteger interesses americanos e ajudar a conter a crise humanitária. Mesmo sem autorização, há outros caminhos pelos quais Obama pode buscar o apoio do Congresso. Eles incluem a votação de duas iniciativas já apresentadas: um fundo de contraterrorismo estimado em US$ 5 bilhões para treinar e equipar combatentes em países aliados para enfrentar o EI e o envio de US$ 500 milhões para armar e treinar os rebeldes sírios apoiados pelo Ocidente. O discurso de Obama ocorre às 21 horas (22 horas de Brasília).

O governo americano também tenta construir uma coalizão internacional contra o EI. Amanhã, o secretário de Estado John Kerry participará de uma reunião em Jeddah, na Arábia Saudita, com representantes de outros países árabes e da Turquia, sobre formas de combater o avanço do EI na região.

Hollande. O presidente da França, François Hollande, anunciou ontem que seu governo promoverá uma conferência internacional sobre a situação no Iraque após o avanço do Estado Islâmico (EI). O encontro será realizado na segunda-feira, em Paris. Hollande viajará para o Iraque na quinta-feira, segundo o Palácio do Eliseu, para demonstrar o apoio à luta contra o EI. / AP, REUTERS, EFE, WASHINGTON POST e NYT

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