Shannon Stapleton/ Reuters
Shannon Stapleton/ Reuters

Com apoio republicano, Câmara dos EUA aprova comissão bipartidária para apurar ataque ao Capitólio

Trinta e cinco deputados republicanos apoiaram a proposta assumindo o risco de enfurecer Trump e desprezando líderes do partido

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 21h07

WASHINGTON - Trinta e cinco republicanos na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos se uniram aos democratas nesta quarta-feira, 19, em uma votação para criar uma comissão bipartidária para investigar o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio. Ao decidirem apoiar a proposta, os deputados assumiram o riso de enfurecer o ex-presidente Donald Trump e desprezaram os líderes do partido que condenaram a iniciativa como injustamente partidária e desnecessária.

Os rebeldes republicanos foram liderados pelo deputado John Katko, que escreveu a proposta com o presidente da Comissão de Segurança Interna, o democrata Bennie Thompson. A medida prevê criar uma comissão de dez membros - com cinco nomeados por cada partido - para investigar o motim no Capitólio.

Katko, o principal republicano dessa comissão, vem lutando contra duas correntes que tem sufocado o Congresso nos últimos anos: a potência quase esmagadora que Trump ainda tem entre os republicanos e um partidarismo irregular que muitas vezes confunde até mesmo os legisladores. "Eu encorajo a todos os membros, republicanos e democratas, a baixarem suas armas uma vez, apenas uma vez, e a apoiarem este projeto", disse Katko.

Todos os 10 republicanos que votaram em janeiro pelo impeachment de Trump por encorajar partidários extremistas a invadir o Capitólio apoiaram o texto da comissão nesta quarta-feira. 

Entre eles, está Liz Cheney, a crítica de Trump mais proeminente do Partido Republicano na Câmara, embora ela não tenha falado durante o debate desta quarta-feira. A votação ocorre uma semana depois que seus colegas a destituíram da posição de liderança republicana por criticar repetidamente Trump por seu papel no ataque e por suas falsas alegações de que perdeu a eleição por causa de fraude eleitoral generalizada.

Um moderado e ex-promotor, Katko defendeu a comissão proposta como um passo justo e necessário para entender o motim, como ele aconteceu e que melhorias de segurança o Capitólio precisa para prevenir um ataque futuro. "Trata-se de fatos. Não é política partidária", disse ele incisivamente.

Os 35 desertores representaram uma proporção relativamente modesta, mas ainda significativa dos republicanos da Câmara dos quais 175 se opuseram à legislação. 

O desafio desses legisladores ressaltou a divisão do partido, já que alguns deles apoiavam uma investigação do violento ataque ao Capitólio, enquanto os líderes tentavam evitar isso a qualquer custo para não enfurecer o ex-presidente, cujo apoio eles acreditam que precisarão para retomar o controle da Câmara nas eleições de 2022.

A Câmara, controlada atualmente pelos democratas, aprovou a medida por 252 a 175 e a enviou ao Senado, onde os democratas enfrentam uma luta difícil para angariar pelo menos 10 votos republicanos para continuar com a medida. 

Três republicanos falaram a favor da legislação: Katko e Fred Upton e Peter Meijer, de Michigan. Os dois últimos também estavam entre os 10 que votaram pelo impeachment de Trump./AP

 

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