Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS
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Senado russo aprova envio de tropas à Ucrânia, mas Putin diz que intervenção não é imediata

Líder russo diz que acordo de paz de Minsk entre rebeldes e governo ucraniano está morto e saída para crise envolve Kiev abrir mão de entrada na Otan

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 14h23
Atualizado 22 de fevereiro de 2022 | 14h45

O Conselho Superior da Rússia -- equivalente ao Senado -- aprovou o envio de tropas às recém-reconhecidas República Popular de Donetsk e República Popular de Luhansk, no leste da Ucrânia. A autorização vem um dia após Putin reconhecer os territórios separatistas como Estados independentes. 

Putin prometeu enviar "tropas de paz" a Donetsk e Luhansk, a fim de garantir que o território dos dois "países" -- que na definição russa envolve uma área ocupada por militares ucranianos -- não fosse violado. Após a autorização do Legislativo nesta teça-feira, 22, no entanto, Putin afirmou que uma eventual entrada do Exército em território ucraniano depende da situação "no terreno".

"Eu não disse que nossos soldados vão para lá agora (...) Vai depender, como dizem, da situação no terreno", afirmou em entrevista coletiva.

Em uma série de declarações, o líder russo afirmou que os acordos de Minsk, negociados entre 2014 e 2015 para encerrar as hostilidades entre o governo ucraniano e os separatistas do leste do país, "já não existem", disse estar pronto para discutir a desmilitarização da Ucrânia e argumentou que a "melhor solução" para acabar com a crise envolvendo o país seria a desistência do plano ucraniano de se juntar à Otan.

"A melhor solução para essa questão seria que as autoridades atualmente no poder em Kiev desistissem de ingressar na Otan por conta própria e se mantivessem na neutralidade", disse Putin, voltando a um dos primeiros pontos de impasse nas negociações com o bloco ocidental - que não aceita firmar um compromisso que limite a política de "portas abertas" da Otan.

No Conselho Superior da Rússia, a autorização para envio das tropas foi aprovada após um debate relâmpago, por unanimidade.

"As negociações pararam. A liderança ucraniana tomou o caminho da violência e do derramamento de sangue", disse o vice-ministro da Defesa, Nikolai Pankov, durante a sessão parlamentar. 

"Eles não nos deixaram escolha", acrescentou, alegando que havia "veículos blindados pesados" da Ucrânia em frente a Donetsk e Luhansk./ AFP

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