Susan Walsh/AP Photo
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Com Bolsonaro, Trump evita colocar Brasil no meio de guerra comercial com China

Presidente americano diz que reunião com Xi Jinping será produtiva e promete visita ao Brasil

Beatriz Bulla e Célia Froufe, Enviadas especiais a Osaka

28 de junho de 2019 | 04h58

OSAKA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse durante encontro com o presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, 28, que a reunião do próximo sábado, 29, com o líder chinês, Xi Jinping, será “no mínimo produtiva”. Questionado três vezes sobre o papel do Brasil em meio à disputa entre os dois países, Trump evitou se posicionar e não deu uma resposta específica sobre o que espera do País.

“Vamos ter uma reunião com presidente Xi Jinpin amanhã. Vai ser um dia animado, eu tenho certeza.”, afirmou Trump. “No mínimo, será produtiva. E estamos indo bem como país”, disse. O presidente americano afirmou que não prometeu à China que não irá impor novas tarifas nos próximos meses.

Trump e Xi Jinping se encontram no próximo sábado em meio a uma nova rodada de imposição de tarifas pelo governo americano aos produtos chineses.

Ao falar com jornalistas presentes na reunião bilateral, Trump não colocou o Brasil no centro de nenhuma de suas respostas – nem ao responder questões sobre a China, nem sobre a Venezuela. A nota oficial do encontro bilateral destaca que os dois presidentes falaram sobre "os riscos associados com as atividades chinesas no hemisfério ocidental" e também sobre a situação da Venezuela e sobre o apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE. "O presidente Trump demonstrou apoio à agenda de reforma econômica do presidente Bolsonaro e os líderes afirmaram que o início do processo para o Brasil ingressar na OCDE pode ser um impulso importante para os esforços de reforma", informa a nota.

O presidente americano disse ter conversado com o líder russo, Vladimir Putin, sobre a situação na Venezuela e negou que o “momento” para a transição de governo tenha sido perdido. “Não mesmo. As coisas tomam tempo. Nós estamos com o povo da Venezuela, mais do que qualquer coisa. Estamos ajudando eles, levando comida, medicamentos e outras coisas, estamos trabalhando próximos à Colômbia”, disse Trump, ao lado de Bolsonaro. Brasil e Colômbia têm sido aliados dos Estados Unidos na pressão pela transição de governo e fim do regime chavista.

No início do encontro, Trump parabenizou Bolsonaro por uma das “maiores vitórias eleitorais em qualquer lugar do mundo”. A fala do presidente sobre o brasileiro repetiu os afagos feitos em março, na Casa Branca, quando os dois se encontraram pela primeira vez. “É um homem muito especial, está indo muito bem, é amado pelo povo do Brasil”, disse Trump. O americano voltou a prometer que irá visitar o Brasil, sem colocar datas, e disse que os dois países estão mais próximos do que nunca.

Trump disse ainda que o Brasil tem ativos que “alguns países nem conseguem imaginar” e que é um “tremendo país”. “Estamos falando sobre comércio, estamos comercializando muito, mais que antes. E temos muito o que discutir”, disse o americano.

Assim como fez em março, Bolsonaro disse que apoia a reeleição de Trump em 2020 e afirmou que é um grande admirador do presidente americano. “O que nós temos no Brasil é coisa que o mundo não tem. Nós estamos à disposição para conversar com o Trump e para faze parcerias e desenvolver o nosso país”, disse Bolsonaro.

Eleições

Trump aproveitou o momento para criticar os democratas, partido de oposição ao seu governo. Ao falar sobre a Venezuela, Trump passou a criticar o socialismo e afirmou que ao assistir debate dos pré-candidatos democratas para 2020 avaliou que o partido “se tornou o partido socialista”. “Eu ouvi um rumor de que democratas vão mudar o nome do partido para partido socialista, foi o que eu ouvi”, disse o americano.

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