Jose Sarmento Matos/WP
Jose Sarmento Matos/WP

Com campanhas de vacinação quase finalizadas, Portugal e Dinamarca voltam ao ‘normal’

Maioria das restrições foram derrubadas nos dois países, embora precauções continuem sendo tomadas

Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2021 | 18h55

Dois dos cinco países europeus que mais vacinaram sua população, Portugal e Dinamarca vivem um verdadeiro renascimento econômico e social. Bares, restaurantes e casas noturnas voltaram a funcionar quase normalmente, enquanto as máscaras caem em desuso. A disseminação da variante Delta, mais contagiosa, permanece uma preocupação para as autoridades, mas a sensação geral é de alívio, relatam habitantes de ambos os países.

“Já não usamos máscaras na rua. Os eventos permitem mais pessoas e todas as restrições foram levantadas”, conta a portuguesa Marta Leonardo, moradora de Tavira. “Hoje já levo uma vida praticamente normal, quase sem qualquer restrição, exceto pelas medidas que tomo por minha livre iniciativa.”

O país caminha para o que o primeiro-ministro, António Costa, chama de “liberdade total”, ainda que algumas precauções sejam mantidas. O uso de máscaras em ambientes internos, por exemplo, continuará sendo obrigatório em algumas situações específicas. Grandes eventos exigirão passaportes de vacina, que também deverão ser apresentados para viagens dentro do território. 

O afrouxamento poderia parecer impossível no início da pandemia, quando o país adotou medidas severas para combatê-la. Havia a obrigação de manter distanciamento social em todos os espaços fechados, inclusive em ambientes de trabalho, e estabelecimentos tiveram seus horários de funcionamento restringidos. O país chegou a proibir venda de bebidas alcoólicas a partir das 20h e seu consumo em espaços ao ar livre e em vias públicas, para evitar aglomerações.

Mas uma campanha de imunização agressiva, com base em 4 imunizantes -- Moderna, Pfizer/BioNTech, Janssen e Oxford/Astrazeneca -- mudou o jogo. “A vacinação foi muito rápida. Havia um polo de imunização por cada concelho (município) e as pessoas podiam se inscrever pela Internet, mas se não o fizessem, eram contatadas pelo polo”, conta Marta. Em um país com histórico de confiança em vacinas, a hesitação e o negacionismo não vigoraram. “São poucas as pessoas que se recusam a tomar a vacina, a maioria, pais que não querem imunizar seus filhos com medo de eventuais sequelas”, conta Marta. De acordo com dados do Our World in Data, 85,21% da população portuguesa já está completamente imunizada.

Na Dinamarca, 73,82% da população está com o esquema de imunização completo. “O processo foi muito simples, só era necessário entrar no site http://vacciner.dk e agendar um dia e horário, e automaticamente você também já tinha a segunda dose marcada”, conta a brasileira Renata Prado, de 26 anos, que mora em Odense, a terceira maior cidade do país, há dois anos. Embora o foco do governo inicialmente tenha sido garantir a imunização completa de idosos e grupos de risco antes de avançar para outras faixas etárias, hoje restam poucos não-vacinados.

A imunização, no entanto, não é obrigatória. Por isso, conta Renata, houve um grande esforço do governo para convencer a população. “O governo fez apelos na televisão, nos jornais, e até mesmo enviando constantes mensagens para eBoks (caixas de correio eletrônicas seguras focadas apenas para receber correspondência digital do setor privado e das autoridades públicas) da população”, conta. 

Desde o dia 14 de agosto, o uso de máscaras no transporte público não é mais exigido. As casas noturnas foram reabertas e os limites de público foram retirados. Por um tempo, era necessário usar o aplicativo Coronapass para acessar ambientes, mas a medida não está mais em vigor.

Em suas férias de verão, em agosto, Renata já foi em alguns eventos da cidade, como o Blomsterfestival (festival das flores) e uma festa Silent Disco, ambos parte da programação de um festival tradicional da cidade, o Hans Christian Andersen Festivals, que havia sido cancelado em 2020. “Nossas vidas voltaram 100% ao normal.”

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