Com charme, nova primeira-dama chinesa faz sucesso na Internet

Com um sorriso no rosto, um casaco preto simples e uma bolsa elegante, embora sem grife, a nova primeira-dama da China, Peng Liyuan, surgiu na sexta-feira no cenário internacional e se tornou um sucesso instantâneo na Internet do seu país.

BEN BLANCHARD, Reuters

22 de março de 2013 | 11h03

Ao descer de um avião em Moscou, primeira escala da primeira viagem internacional de Xi Jinping após assumir a Presidência, Peng causou alvoroço entre os usuários chineses da rede por causa da sua aparência refinada e do evidente afeto pelo seu corpulento marido.

"Que linda, Peng Liyuan, que linda! Que composta, que magnânima", escreveu um usuário do serviço Sina Weibo, espécie de Twitter chinês.

"Quem não adoraria uma dama como essa e não seria insanamente feliz com ela?", escreveu outro.

A loja eletrônica Taobao rapidamente começou a vender casacos semelhantes ao de Peng, anunciando "o mesmo estilo da primeira-dama".

Outros especularam sobre a marca da sua bolsa e dos seus sapatos.

"Os sapatos dela são realmente clássicos, e quem desenhou sua bolsa?", escreveu um terceiro usuário do Weibo.

Peng já era muito conhecida na China como cantora. Durante vários anos foi provavelmente mais famosa e certamente mais popular do que seu marido.

Quem a conhece a descreve como vivaz e divertida, mas diz que ela recebeu orientações para ser mais discreta depois de Xi ser alçado a vice-presidente, em 2008.

Agora que ele ascendeu à Presidência, a primeira-dama deve receber atribuições próprias, contribuindo com os esforços do governo para abrandar a imagem da China no exterior.

A atual viagem vai durar uma semana e inclui escalas também na Tanzânia, África do Sul e República do Congo. Peng, conhecida por militar em causas como o apoio a crianças soropositivas, provavelmente visitará instituições beneficentes durante a viagem.

Ao contrário dos políticos ocidentais, sempre dispostos a beijar uma criancinha, o Partido Comunista Chinês habitualmente se esforça para evitar que seus líderes pareçam humanos demais. A tal ponto que, em muitos casos, até seus aniversários e o nome dos filhos são tratados como segredo de Estado.

Mas Xi e Peng são diferentes, e a imprensa estatal já publicou dezenas de reportagens e ensaios fotográficos sobre o relacionamento do casal.

"Quando ele chega em casa, nunca penso como se houvesse algum líder na casa. Aos meus olhos, ele é só o meu marido", derreteu-se Peng em entrevista a uma revista estatal em 2007, quando ele descreveu Xi como frugal, trabalhador e pé-no-chão.

Peng é a segunda mulher de Xi, e os dois têm uma filha que estuda em Harvard, usando um pseudônimo. Xi se divorciou da primeira mulher, filha de um diplomata.

Nas últimas décadas, as primeiras-damas chinesas eram sempre discretas, em grande parte por causa da lembrança negativa associada a Jiang Qing, viúva do fundador da China comunista, Mao Tse-tung.

Jiang foi a líder da "Camarilha dos Quatro", que exerceu o poder supremo na China durante a Revolução Cultural (1966-76). Em 1981, ela foi condenada à morte pelo assassinato de dezenas de milhares de pessoas durante aquele período caótico, mas a pena foi suspensa.

(Reportagem adicional de Megha Rajagopalan, Redação de Pequim e Anita Li em Xangai)

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