Erin Scott/EFE
Erin Scott/EFE

Com criação de tributos, pacote de Biden encontrará resistência de alguns setores; leia análise

Ao garantir e ampliar direitos sociais, administração será questionada por medidas que alteram bases tributárias já estabelecidas

Clayton Vinicius Pegoraro de Araujo*, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 17h00

O presidente  Joe Biden informará uma proposta de estímulos destinada a impulsionar a economia durante a pandemia do coronavírus,  com aporte que poderá exceder a cifra de US$ 1 trilhão, além de auxílio para as comunidades minoritárias.

Vale notar que Biden, durante a campanha eleitoral, sempre acenou com a promessa de levar a pandemia mais a sério do que o ex-presidente Donald Trump. Assim, este pacote de estímulos visa colocar em ação esse compromisso com um aporte de recursos para, dentre outros aspectos, fomentar ensino universitário gratuito por um período de 2 anos, bolsas de estudo para alunos pobres, verba para universidades ligadas às comunidades afrodescendentes, bolsas para aperfeiçoamento de professores, assistência social para crianças, programa nacional relativo à  licença médica do trabalhador. Estes são alguns exemplos das diretrizes traçadas neste ambicioso plano de recuperação e incentivo econômico dos EUA. 

Por outro lado, com a necessidade de criar fundos para o governo, o presidente Biden buscará apoio para criação de novos tributos, especialmente para os ricos (na acepção do projeto). Segundo a proposta, será incluída uma quase duplicação para o imposto sobre ganhos de capital para pessoas que ganham acima de US$ 1 milhão por ano. É fato que, neste ponto, encontrará resistência de alguns setores da sociedade estadunidense, mormente por se tratar de oneração direta ao contribuinte.

Observa-se, portanto, que a gestão Biden, ao garantir e ampliar direitos sociais se tornará, para um parcela da população, bem questionável por conta das medidas que alterarão as já estabelecidas bases tributárias e, consequentemente,  os ganhos financeiros.

Hoje, com uma taxa de desemprego na casa dos 6,0%, uma economia saudável será algo de suma importância para uma expansão e recuperação neste momento pandêmico. O destino econômico, em parte, dependerá da capacidade do atual governo para administrar e controlar gastos dentro de uma ainda furiosa crise sanitária causada pela covid-19. Assim, gastos nos EUA não poderão ser retomados de forma significativa até que a população, de modo geral, se sinta suficientemente segura, especialmente em setores que dependem de contato pessoal, como viagens, restaurantes e hotelaria. 

*É professor do Programa de Mestrado Profissional em Economia e Mercados da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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