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Com críticas a Israel e Rússia, Trump mantém aspectos da diplomacia de Obama

Em um intervalo de horas, o governo americano alertou a Rússia nas Nações Unidas sobre a escalada de violência na Ucrânia e criticou a decisão israelense de construir novos assentamentos na Cisjordânia

O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2017 | 13h17

WASHINGTON - Após prometer uma ruptura radical na política externa americana,  presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu na noite de quinta-feira, 2, sinais de que pretende manter, pelo menos por enquanto, alguns eixos importantes da diplomacia de seu antecessor, Barack Obama. Em um intervalo de horas, o governo americano alertou a Rússia nas Nações Unidas sobre a escalada de violência na Ucrânia e criticou a decisão israelense de construir novos assentamentos na Cisjordânia. 

No que diz respeito às relações com o Irã, Trump subiu o tom em relação à administração democrata, ao dizer que todas as opções estão na mesa para retaliar um teste com mísseis balísticos feito por Teerã no início da semana. Com o apoio de líderes republicanos no Congresso, a Casa Branca deve anunciar novas sanções ainda hoje. A medida, no entanto, não é inédita, principalmente no que diz respeito ao programa balístico iraniano. Trump não deu, por enquanto, sinais  de que pretende rever o  acordo nuclear assinado em 2015.

A mudança de tom na diplomacia de Trump ocorre dias depois de seu controvertido decreto para barrar a entrada de refugiados e cidadãos de sete países muçulmanos nos Estados Unidos e telefonemas agressivos com líderes de países aliados, como a Austrália. 

Nas Nações Unidas, a embaixadora Nikki Haley disse que os Estados Unidos não vão retirar sanções contra a Rússia até Moscou parar de desestabilizar a Ucrânia e retirar suas tropas da Crimeia, anexada à Rússia em 2014. 

"Queremos relações melhores com a Rússia", disse ela em seu primeiro pronunciamento em uma sessão do Conselho de Segurança na ONU. "No entanto, a situação complicada no leste da Ucrânia exige uma clara e forte condenação das ações russas."

No fim da noite de ontem, a Casa Branca divulgou uma nota na qual pediu ao governo israelense não construir novos assentamentos além dos que já existem em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia - medida inédita anunciada esta semana pelo premiê Binyamin Netanyahu. 

"Apesar de não acreditarmos que a existência dos assentamentos seja um impedimento para a paz, a construção de novos assentamentos, ou a expansão deles além das atuais fronteiras podem não ajudar esse objetivo", disse o porta-voz de Trump, Sean Spicer. "O presidente não tem uma posição fechada sobre essas atividades e a discutirá com o primeiro-ministro Netanyahu no dia 15."

A mudança de posicionamento de Trump, que até dias antes da posse cogitava de mudar a embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém - o que seria um ato sem precedentes no apoio a Israel - ocorreu após ele ter se encontrado brevemente em Washington com o rei da Jordânia, Abdullah 2º. Um dos líderes mais respeitados do mundo árabe e crítico da expansão israelense na Cisjordânia, o monarca aconselhou Trump a alertar Israel contra a decisão de construir assentamentos em territórios palestinos pela primeira vez em 20 anos.

A cautela de Trump também coincide com o início da gestão de Rx Tillerson à frente do Departamento de Estado, após sua confirmação pelo senado há dois dias. O secretário de Defesa, Jim Mattis, também iniciou seu trabalho no Pentágono com uma visita à Coreia do Sul. Ambos são vistos como capazes de moderar o extremismo de Trump e alguns de seus assessores na Casa Branca.  /NYT

 

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