'Com culto à imagem, presidente busca recriar liturgia peronista'

Para o sociólogo Juan José Sebreli, Eva Perón foi uma "garota-propaganda" do governo de seu marido, o presidente Juan Domingo Perón. Em entrevista ao Estado, o autor de Cômicos e mártires - ensaio contra os mitos, livro que discute lendas da história argentina, diz que Evita e a presidente Cristina Kirchner só possuem um ponto em comum: "a gritaria nos discursos".

Entrevista com

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h01

Evita e Cristina são parecidas?

Cristina é mais culta, foi uma garota suburbana. Não é autêntica, não tem nada a ver com Evita.

Cristina tenta imitar Evita?

Na gritaria dos discursos, sim. Mas em Evita a gritaria era natural - em Cristina, impostada.

Por que Cristina construiu dois murais com a efígie de Evita e patrocinou uma animação com ela como personagem?

A presidente pretende implantar esse culto à imagem, numa tentativa de recriar uma liturgia peronista. Mas a conjuntura é muito diferente agora.

Era mais fácil transformar-se em mito no tempo de Evita?

Em sua época, ela era a única mulher que tinha liderança na política argentina. Atualmente, ela teria muitas concorrentes e não teria os elementos intelectuais para disputar espaço. / A.P.

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