Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Com desmatamento em alta, Brasil manifesta decepção com decisão de Trump

Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente disseram que o governo brasileiro 'recebeu com profunda preocupação e decepção' o anúncio feito por Trump

Giovana Girardi e Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 21h38

Seguindo o comportamento de União Europeia e China, o governo brasileiro também criticou a posição do presidente Donald Trump de tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris e reafirmou seus compromissos com a implementação do pacto e com o esforço global de combate às mudanças climáticas.

Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente disseram que o governo brasileiro “recebeu com profunda preocupação e decepção” o anúncio feito por Trump. “O combate à mudança do clima é processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico, em que se vislumbram oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável e para novos ganhos em setores de vanguarda tecnológica”, disse a nota. 

O governo afirma ainda que continua disposto a trabalhar com outros países “na promoção do desenvolvimento sustentável, com baixas emissões de gases de efeito estufa e resiliente aos efeitos adversos da mudança do clima”. 

Como contribuição ao acordo, o Brasil se comprometeu a reduzir 37% de suas emissões até 2025 e 43% até 2030, com base nos valores de 2005. Uma das principais estratégias para isso é zerar o desmatamento ilegal da Amazônia. No entanto, o problema, que parecia sob controle quando o governo anunciou seus planos voltou a crescer nos últimos dois anos. Com isso, as emissões de gases estufa também subiram.

Isso se soma a ações que vêm sendo identificadas como contrárias às políticas de combate às mudanças climáticas, como a redução no Congresso de áreas protegidas. 

Para Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, um posicionamento firme do Brasil era esperado, mas reflete o que chama de “esquizofrenia” interna. 

“A nossa diplomacia continua engajada, trabalhando para implementar o acordo no nível internacional, mas não vemos correspondência com ações internas. O Brasil pode passar uma mensagem dura, mas tem telhado de vidro se aprovar medidas provisórias que reduzem unidades de conservação ou legalizar a grilagem em milhares de terras”, disse.

“O Brasil precisa se colocar à altura do desenvolvimento sustentável com a defesa do meio ambiente. Precisamos imediatamente reverter o repique do desmatamento e a investida contra áreas protegidas”, complementa Natalie Unterstell, secretária adjunta do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. 

“O Brasil joga um papel importante nas negociações, mas precisamos aprofundar a transformação econômica”, acrescentou Unterstell.

 

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