Oliver Contreras/ POOL/EFE/EPA
Oliver Contreras/ POOL/EFE/EPA

Com disparada da Ômicron, Biden envia militares a hospitais e distribui mais 500 milhões de testes

Governo intensificou o plano de resposta à pandemia em meio ao aumento abrupto de casos provocado pela nova variante

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 20h00

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 13, que vai distribuir mais 500 milhões de testes, máscaras de melhor qualidade para a população, além de enviar militares para ajudar hospitais em seis estados americanos que enfrentam picos de casos de covid-19 causados pela variante Ômicron. País bateu recordes seguidos de casos e de hospitalizações.

O presidente americano Joe Biden disse que estava orientando sua equipe a comprar mais 500 milhões de testes de coronavírus para distribuição aos americanos, dobrando a compra anterior, enquanto seu governo luta para responder à variante altamente contagiosa. "Isso significará um bilhão de testes no total para atender à demanda futura", disse Biden. “E continuaremos trabalhando com os varejistas e vendedores online para aumentar a disponibilidade.”

Mas não está claro quando os testes estarão disponíveis. Biden anunciou o primeiro lote de 500 milhões pouco antes do Natal, e o primeiro lote desse anúncio não começará a ser entregue até o final deste mês, segundo funcionários da Casa Branca. Detalhes sobre como os americanos podem solicitar os exames, incluindo um site de testes administrado pelo governo, devem ser revelados na sexta-feira, 14.

O presidente não informou quando o novo lote de 500 milhões será fabricado e estará pronto para distribuição. Mas ele disse que os testes em casa - juntamente com mais de 20.000 locais de teste em todo o país - ajudarão a atender à crescente demanda à medida que as pessoas tentam continuar trabalhando, estudando e na vida social, apesar da rápida disseminação do vírus.

“Estamos a caminho de lançar um site na próxima semana onde você pode solicitar testes gratuitos para serem enviados para sua casa”, disse ele, acrescentando que as pessoas com seguro médico também poderão em breve ser reembolsadas pela compra de até oito testes por mês.

Ajuda para os hospitais

Além disso, o presidente disse que está enviando um total de 120 militares médicos para seis estados onde os hospitais foram invadidos por casos. Ele também prometeu revelar na próxima semana planos para ajudar os americanos fornecendo máscaras gratuitas e de alta qualidade que são melhores na prevenção da infecção pelo vírus.

Segundo Biden, este anúncio sobre o envio de ajuda para os hospitais é apenas o início da implantação de 1.000 membros militares para ajudar médicos e enfermeiros a lidar com um aumento nos casos de Ômicron.

O presidente apareceu ao lado de Lloyd J. Austin III, secretário de Defesa, e Deanne Criswell, diretora da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, na Casa Branca para detalhar sobre as equipes que se dirigem aos locais mais atingidos em todo o país. Biden já havia dito no final do mês passado que iria recorrer aos militares para ajudar os hospitais no início de janeiro.

As novas equipes de médicos, enfermeiros e outros profissionais médicos começariam a chegar aos hospitais de Michigan, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Ohio e Rhode Island, disse o presidente, para ajudar na triagem de pacientes que chegam aos hospitais, permitindo a liberação de espaços nos departamentos de emergência.

Biden não forneceu detalhes sobre o que ele disse ser um plano para garantir que os americanos tenham acesso a máscaras de alta qualidade. Especialistas disseram que as máscaras KN95 e N95 protegem melhor contra a variante Ômicron do que as máscaras de pano ou cirúrgicas mais comuns que muitas pessoas usam.

“Como eu disse nos últimos dois anos, por favor, use uma máscara. Acho que faz parte do seu dever patriótico”, disse ele, reconhecendo que “não é tão confortável, é uma dor de cabeça”.

Recordes consecutivos de casos

As implantações fazem parte dos esforços do governo Biden para combater o mais recente surto de casos provocado ​​pela variante Ômicron. À medida que a variante surgiu, aumentaram os novos casos, chegando a mais de 780.000 em média por dia em todo o país. Embora aparente causar uma doença menos grave, o número de americanos hospitalizados com covid-19 também aumentou e atingiu um recorde de cerca de 142.000.

Logo após as festas de fim de ano, o país passou a registrar recordes diários de novos casos, tendo inclusive passado de um milhão em um único dia. O alto número de pessoas infectadas ao mesmo tempo quase levou ao colapso nos serviços do país, já que muitos trabalhadores passaram a se ausentar devido ao isolamento.

A alta nos Estados Unidos impulsionou o aumento do número de infecções em todo o mundo, que registrou 3,6 milhões de casos na última quarta-feira, 12, segundo o Our World in Data. No mundo, porém, o aumento de casos ainda não se converteu em um aumento nas hospitalizações e mortes. 

Já nos Estados Unidos, houve aumento nesses indicadores, embora em patamares muito menores se comparado com as infecções. As autoridades de saúde americanas destacaram que a maioria das internações tem ocorrido entre pessoas não vacinadas, especialmente crianças.

Para Biden, a incapacidade de controlar a pandemia ajudou a diminuir seus índices de aprovação quando ele entra em seu segundo ano no cargo. Seus assessores têm a intenção de comunicar publicamente seus esforços para lidar com o vírus.

Desde o Dia de Ação de Graças, quando a Ômicron foi descoberta pela primeira vez na África do Sul, o governo enviou mais de 800 militares e equipes de emergência para 24 estados e territórios, disseram autoridades, sem contar o pessoal que Biden anunciou nesta quinta-feira.

Além disso, mais de 14.000 membros da Guarda Nacional foram ativados em 49 estados para ajudar em hospitais com vacinações, testagens e outros serviços médicos, disseram autoridades. Essas implantações foram pagas pelo American Rescue Plan, uma lei que Biden defendeu no início de seu mandato.

Ao mesmo tempo, a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou nesta quinta-feira, o governo Biden de exigir um mandato de vacinas ou testes para grandes empregadores, impondo uma derrota a um elemento-chave do plano da Casa Branca para lidar com a pandemia. Mas o tribunal permitiu um mandato mais modesto que exige que os profissionais de saúde em instalações que recebem dinheiro federal sejam vacinados.

Possível início de queda na curva

Porém, cientistas têm observado que as infecções parecem estar estacionando em algumas cidades americanas, reforçando a suspeita de que a Ômicron provoque uma onda mais rápida. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, disse na terça-feira, 11, que as taxas de testes positivos e o aumento de casos parecem estar diminuindo, particularmente na cidade de Nova York, que emergiu como um epicentro inicial da variante.

“Os casos ainda estão altos, não estamos no fim, mas quero dizer que isso é, para mim, um vislumbre de esperança em um momento em que precisamos desesperadamente disso”, disse Hochul em um coletiva de imprensa.

Os níveis de coronavírus nos esgotos da área de Boston estão caindo, um sinal promissor já que, no passado, níveis altos detectados nessas áreas adiantavam as infecções recordes que estavam por vir. 

O Hospital Infantil da Filadélfia viu a taxa de professores com teste positivo durante a triagem semanal assintomática cair de 25% na semana entre o Natal e o Ano Novo para 2% nos últimos dias.

“Nós realmente tentamos não fazer previsões sobre esse vírus, porque elas sempre nos colocam em um loop”, disse Shira Doron, epidemiologista do Tufts Medical Center. “Mas pelo menos os esgotos estão sugerindo um declínio acentuado e, portanto, esperamos que isso signifique que os casos também diminuam acentuadamente e, em seguida, hospitalizações e mortes se seguirão”.

Como Doron sugeriu, é muito cedo para ter certeza de que a onda Ômicron atingiu o pico mesmo em áreas com dados encorajadores - que tendem a ser os lugares onde a Ômicron chegou pela primeira vez nos EUA.

A mesma tendência parece estar sendo observada no Reino Unido, onde também houve o registro de recordes consecutivos e risco de colapso nos serviços por falta de trabalhadores. Os novos casos de covid-19 caíram para cerca de 140.000 por dia na última semana, depois de disparar para mais de 200.000 por dia no início deste mês, segundo dados do governo.

Os números do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido nesta semana mostram que as internações hospitalares por coronavírus para adultos começaram a cair, com infecções caindo em todas as faixas etárias.

Porém, especialistas alertam que ainda há muita incerteza sobre como a próxima fase da pandemia pode se desenrolar. O platô nos dois países não está acontecendo em todos os lugares ao mesmo tempo ou no mesmo ritmo. “Ainda há muitas pessoas que serão infectadas à medida que descermos curva”, disse Lauren Ancel Meyers, diretora do Consórcio de Modelagem covid-19 da Universidade do Texas./AP, NYT e WP

 

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